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Poesia - O pêndulo da solidão, por Isaac Ramos

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 20 de abr.
  • 1 min de leitura

Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor universitário, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Isaac Ramos, com "O pêndulo da solidão".


O PÊNDULO DA SOLIDÃO

(Isaac Ramos)


Há um eco infinito pendendo o momento

Do silêncio da escrita e da estrutura ausente

Há uma obra aberta sob o nome da rosa

Da rosa marcada pelo exílio de Baudolino

Que se perdeu com Loana

Na ilha do dia anterior.


Há um diário mínimo no qual consta

A definição da arte e as formas do conteúdo

Só que há mentiras que parecem verdades

Como o super-homem de massa

E o lector in fábula.


Enquanto isso vejo Maria dos prazeres

E um senhor muito velho com umas asas enormes

Entre amigos focando olhos de cão azul

Pobre memória de minhas putas tristes

Do amor e outros demônios

Que a literatura nos tempos do cólera me deixou.


Não rogo Eco não ergo Márquez

Não sou Umberto nem Gabriel

Sou apenas um poeta distante

Distinto e diferente de José

E agora?... Perdi a chave do tempo.


O silêncio me para

Entre a mentira e a ironia

E não sei mais passear pelos bosques da ficção

Resta-me apenas um espelho de tinta

No qual me projeto em cem anos de solidão.


17-04-2014


PS: Escrevi esse poema dialogando com o saudoso amigo José Fernandes, que escreveu "Silêncio". Trata-se de uma homenagem poética a Umberto Eco e Gabriel Garcia Marquez. O mundo fica mais solitário e triste, hoje, com a morte do colombiano Garcia Marquez.

 
 
 

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