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Reflexão - Diário de uma Idosa N° 318, por Joana Prado Medeiros

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 2 horas
  • 1 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia texto de reflexão com a professora universitária, historiadora, poeta e escritora de Dourados (MS), Joana Prado Medeiros, com seu Diário de uma Idosa 318


NAVIGARE NECESSE, VIVERE NON NECESSE...


Não sei mencionar as centenas de milhares de vezes que murmurei essa frase. Nem sei precisar quantas vezes chorei. Não importa o quão conhecida é no verso de F. Pessoa, na canção de Caetano. Só sei que tem gatilho e a bala acerta em cheio meu peito. Navegar é preciso, viver não é preciso. Recordo que já elaborei questões de provas com estes dizeres, já soletrei no quadro de giz, já cantei bêbada no boteco do seu Zé Chico, pertinho de casa. Já escrevi nos diários, no espelho do banheiro...Desde pequena, desde os 11 aninhos, quando de morte fui ferida. Desde quando queria morrer, de quando varava a madrugada lendo escondida na despensa, com luz de velas pra não gastar energia e para ninguém me ver. Descobri os fios dourados que teceram a poesia portuguesa em meu fígado, coração, pulmão e rins... Águas que desaguam e tudo contornam, rios de choro em que cresci. Navigare necesse, vivere non necesse murmurou o general Pompeu, navegando sob a tormenta na Sicília, indo para a Roma antiga. E eu atravesso o dia até a noite e depois volto da noite ao dia com braços iguais a remos lentos...Aí eu Caetaneio devagar: "O dia, o marco, meu coração / O porto, não". Meu coração bate lento.


(Joana Prado Medeiros - 23/06/2026 - Direitos Autorais Lei 9.610/98)

 
 
 

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