Poesia - Miríade, por Edson Moraes
- Alex Fraga

- 6 de mar.
- 1 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o jornalista, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Edson Moraes, com Miríade.
MIRÍADE
(Edson Moraes)
Aquelas crianças vieram correndo
Sem saber se havia alguém a esperá-las
Talvez por isto trouxeram risos sem controle
Brincavam com a verdade de ser felizes
Grudaram-se nos quintas desenhados em paredes amarelas
Mas não havia desespero
Era pouco o que tinha a oferecer àqueles sorrisos
Dois ou três quintais rabiscados com tintas de uma solidão difusa
Meia chaleira de chá de camomila com erva-doce
Uma sanfona preguiçosa e prenhe de serenatas pra ninguém
Ah, e também dois grilos, uma cigarra e meia dúzia de borboletas
Bichos de vida breve que logo me desocupariam a audiência
Chegaram as crianças, vieram do breu insone por ruas ingênuas
Eram alegres, felizes, libertas da distópica agonia dos rufiões
Não tinham o desencanto dos meninos sem pátria de Puntel
Eram muitas, incontáveis, multidões de crianças e prematuridades
Invadiram a bêbada nação que anoitecia em mil calçadas
E me fizeram de samba-lelê nos carrosséis de utopias
Para aprender que pra sonhar não é preciso aprender
Basta sorrir todos os risos que couberem no infinito!





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