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Poesia - A Peste, por Nelson Araújo Filho

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 2 horas
  • 1 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o advogado, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Nelson Araújo Filho, com "A Peste".


A PESTE


Castelo, Cururu

Volta da Canelinha, Carandazinho

Domingos Ramos; estirão

Saracura.

Infectado, vazei

Tentendo milongar a morte

E o corredor liso.

Sem medo e sereno

Depois,

Cobre-me a solidão, seu abraço manso

Um exato passo

Antes da escuridão.

Foi sentença não executada.

Fui, voltei!

Castelo, Cururu

Volta da Canelinha, Carandazinho

Domingos Ramos; estirão

Saracura.

Junto e alados vieram então

Pesadelos,

O Connie do Juscelino

Caravelle do Arthur

Ponta do Brasil e o mar

Asas de ontem

Da melancolia sem pertença

Minhas não eram.

O dia trouxe Nilson,

Ao pé

Jeca, à cabeceira

Guarda e vela presentes

consolo do sonho.

Cruzamos reunidos os gritos, rangidos abissais

Revolta desorientada de dor e destino.

Os lamentos magoados de entrega.

Alertas sem estrebucho de fins

Gemiam máquinas já sem serventia.

Castelo, Cururu

Volta da Canelinha, Carandazinho

Domingos Ramos; estirão

Saracura.

Canto de travessia.

O rio, suas curvas e rebojos,

Os alagados,

A vida.

Agarrei-me.

Repetidamente

Seguia curso o imedido tempo.

Da casa, só as paredes

As que o dano não concluiu.

Uma árvore entre elas

De copa esparramando o teto

Sombreia o quarto,

Subia a vida.

Sobrevivi!

Para a Glória do Senhor

Percebo

A Palavra me chora.

Castelo, Cururu

Volta da Canelinha, Carandazinho

Domingos Ramos; estirão

Saracura.

O vento alisa a vida

De cores vira o campo.


Nelson Araújo Filho


*** PS. Título A Peste, de Albert Camus, faz referência ao romance publicado em 1947, considerado um clássico da literatura existencialista e absurdista.



 
 
 

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