Crônica - Trilha da Cassununga, por Paulo Portuga
- Alex Fraga

- 17 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de crônica com o professor, músico, poeta e compositor, Paulo Portuga, com Trilha da Cassununga,
TRILHA DA CASSUNUNGA.
Dia lindo de dezembro. Quente e úmido. O rio convidava para um mergulho.
Peguei a trilha fechada. O mato verde imperava. Dez minutos de caminhada.
Caminhei olhando para o chão. Receio de tropeçar ou numa cobra pisar.
Não percebi a nuvem à minha frente. Um enxame de vespas cassununga.
Senti as primeiras picadas no pescoço e quando percebi estava no meio delas.
Saí correndo batendo as mãos no rosto e na cabeça. Disparando feromônios.
Perdi os óculos durante a bateção e correria. Quase não enxergava mais a trilha.
Elas voaram atrás de mim como um raio. Eu era a carniça e elas as carniceiras.
Carregava um facão pesado que joguei ao chão. De nada servia contra os insetos.
Sabia que o rio estava a uns trinta metros e a água iria me salvar de mais picadas.
O corpo todo ferroado em segundos. Pareciam agulhas com pontas incandescentes.
Ardência, queimação e dor. O coração disparou. Era vida ou morte! Arrisquei tudo.
Desci o barranco alto de areia fofa. Tropecei num toco. Caí rolando pela ribanceira.
Levantei e me atirei dentro d'água para que as vespas me deixassem. Única saída!
Me joguei sem saber ao certo o que iria encontrar dentro do rio. Encontrei galhos.
Me arranhei. Arfava como um animal acuado. O tornozelo sangrou um pouco.
Sorte que este rio não tem piranha. Mas tem arraia camuflado. Sempre há um risco.
É a natureza que queremos ver preservada. É o lar dos bichos. Eu sou o intruso.
O corpo latejava. Insetos ainda grudados no cabelo molhado. Enfim, dissiparam.
Perdi o fôlego. O rio não estava tão cheio. Deu para fincar o pé no fundo de areia.
Não podia voltar pela mesma trilha para achar meus óculos. Visão bem prejudicada.
Teria que voltar pelo rio enfrentando a correnteza. Minhas forças minguaram.
Precisava chegar no rancho. A luz do dia estava acabando. Parei para descansar.
A água servia como um bálsamo. Ainda bem que não sou alérgico à certas toxinas.
Caminhando dentro do rio procurando o porto. Uma escadaria imensa me esperava.
Estava sem voz com o corpo ardendo em brasa. Cheguei no barraco tremendo.
Fui lavar as picadas com sabão. Fiquei horas debaixo do chuveiro para amenizar.
“Come açúcar!” Aconselhou o caseiro que conhece bem o lugar e seus perigos.
Preferi beber cachaça. Era o que poderia me aliviar. Não havia remédios no lugar.
O inchaço tomou algumas partes do meu corpo. Surgiram pontos amarelos na pele.
Dormi anestesiado de álcool e de um coquetel complexo de substâncias químicas.
Componentes que causam dor, inchaço e, em casos de alergia, reações graves.
Acordei no outro dia. Pensei no que ocorreu. Poderia ter morrido. Não sei.
Agora a trilha tem um nome. Trilha Cassununga, do Tupi: vespa que fica zunindo.
Paulo Portuga, 09/12/2025.





Portuga aventureiro. Imitando a Dora aventureira. Kkkkk melhoras brother
Trilha de beleza dolorida, para sempre na memória!
Legal
Gosto de textos reais. Você descreveu lindamente a defesa da floresta. Feliz natal, use repelentes naturais. Os insetos entend m
Lendária trilha da cassununga...