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Texto Poético - Tudo é, por Inorbel Maranhão Viégas

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 12 minutos
  • 2 min de leitura
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Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de texto poético com o jornalista, escritor e poeta de Brasília (DF), Inorbel Maranhão Viégas, com "Tudo é".


Tudo é_


Acordo de manhã. O sol entra pela fresta da janela. A fome bate. É o estômago quem alerta. E eu entro em ação. Banana assada, ovo frito, café com leite, pão com manteiga. Na tela da TV a ciência mostra do que é capaz quando o humanismo prevalece. O campo, a fotossíntese, o cheiro do café invadindo o ambiente, o gosto íntimo na boca. A fome saciada em companhia e com prazer. Tudo é sábado. Até a dor e o desconforto provocados pela quinta cirurgia de minha preta nos últimos cinco anos é motivo de riso. Porque a perspectiva é de cura. Tudo é manhã. Tudo é sábado. Tudo é.\


O sobressalto


Entrementes, o plantão surge na tela da TV com aquela musiquinha que costuma nos tirar o fôlego. E tira. Até que a vinheta acabe e a notícia chegue. Dia 22. Seis e pouco da manhã. Algo previsível. A gente sabia que aconteceria em algum momento. A gente sabia que estava perto. Ainda assim, somos tomados de surpresa. Uma surpresa com nuance de justiça, ainda que tardia. Como tardios são sempre os atos que imputam penas a aqueles que se imaginavam ungidos pela impunidade. Alguém que a toda hora e à exaustão evocou quatro linhas imaginárias de um campo legal para justificar o injustificável, o inconfessável, o inacreditável, o inadmissível, terá agora que experimentar as quatro linhas reais de um espaço limitador que lhe dará noção real do adágio popular: aqui se faz aqui se paga. E o sobressalto inicial – pelo desconhecido da informação – se transforma em alívio imediato. Sensação que trafega, inevitável, por uma dose de confiança no meu sonho utópico de Brasil, que um dia há de se realizar, pra desaguar em uma compensação íntima e, desconfio, coletiva, traduzida na fugaz poesia de Antônio Cícero: Você me abre seus braços. E a gente faz um país.



O caminho

Faz um ano. 22 de novembro do ano passado concluímos a caminhada e chegamos a Santiago de Compostela. Eu e Preta. Nós e o caminho. Epifania de beleza real. Desejada, planejada, acontecida. 800 quilômetros que começaram com um primeiro passo. É assim que se faz. Um país, uma vida. Tudo é.

Inorbel Maranhão Viegas

Brasília 22/11/25


 
 
 

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