Texto/Poesia - Coração, por Raquel Naveira
- Alex Fraga

- há 1 dia
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Quinta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto/poesia com a poeta e escritora de Campo Grande (MS), Raquel Naveira, com "Coração".
CORAÇÃO
Raquel Naveira
Que órgão incrível é o coração humano. Cone invertido entre os pulmões. Músculo oco, do tamanho de um punho fechado. Centro do sistema circulatório. Bomba de sangue que mantém a vida até o último suspiro. Símbolo universal dos sentimentos e da emoção.
É fato comprovado que a dor de uma perda, uma separação, uma decepção amorosa, uma profunda tristeza, podem partir o coração. Provocar sintomas físicos. Coração partido, flechado, ferido, esfaqueado, desmaiado no peito, despedaçado na solidão, na saudade, no sofrimento.
É preciso acalmar a dor, dialogar intimamente com o que nos abala. Aceitar a realidade. Aguardar um tempo de mudanças. Dar passos em direção à paz interior (mesmo em meio a guerras). Aos poucos, a dor vai se transformando em memória, experiência, conhecimento e poesia.
O coração humilde, quebrantado, que reconhece sua fragilidade, recebe um consolo divino, com gosto de céu e orvalho.
Meu coração parece de cera. É tão molinho e derretido como manteiga. Toma várias formas, segundo as revelações que vão imprimindo desenhos e marcas. Clamei:
Dá-me um coração sábio,
Que eu possa sempre olhar o sol,
Controlar-me a mim mesma,
Pois o fardo é pesado
E a viagem é longa,
Põe uma trava nos meus lábios.
Dá-me um coração sábio,
Que no silêncio
Meu espírito ganhe potência,
Que na simplicidade
Eu atinja a ciência
Mais que nos livros e alfarrábios.
Dá-me um coração sábio,
Que no sofrimento
Eu ganhe maturidade,
Que na tempestade
Eu mantenha a calma
E em manejar a palavra
Eu seja hábil.
Coração sábio
Para dirigir
Uma vida feliz,
Dá-me.
Nem fortuna,
Nem poder,
Nem glória,
Um coração sábio.





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