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Texto - Cravo e Ferradura, por Edson Moraes

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 18 minutos
  • 2 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto com o jornalista, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Edson Moraes, com "Cravo e Ferradura"


CRAVO E FERRADURA

(Edson Moraes)

     

Se nada tivesse a esconder, o que custaria a Fábio Luís da Silva, o Lulinha, declarar espontaneamente, logo ao ser levantada a dúvida, que uma amiga o apresentou a Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", chefe operacional da rapinagem dos aposentados, e que foi com ele a Portugal com despesas da viagem pagas pelo trambiqueiro?

     E daí se você é filho do Lula? Nem você e nem o meu presidente são inimputáveis.

     Pode ser que o filho tenha sido instado pelas circunstâncias a negar tudo, com a intenção de não criar um discurso poderoso para a oposição atacar o pai. Pode ser que tenha negado por mera e condenável má fé. Ou pode ser que havia muito mais que uma corriqueira viagem prospectiva de negócios.

       Pode ser de tudo, porque o véu de suas negativas cobriu o que deveria estar descoberto, transparente. Em princípio, por ser filho do presidente, esse tipo de viagem deveria ser evitado ou avaliado com o máximo de cuidado e de rigor, de saber com quem se anda.

         E deu nisto. A CPMI levantou, a imprensa noticiou e Lulinha negou enquanto pôde, mesmo com o pai o incentivando a dizer o que tinha a dizer e assumir eventual responsabilidade.

         Ocultar a verdade equivale a mentir. E neste caso específico, confirmar algo que a imprensa já vinha informando seria uma demonstração objetiva de isenção, de desafiar os críticos com o costumeiro repto do "nada tenho a esconder", do "quem quiser que me contradiga".

         Pena, Lulinha, que eu esteja reconsiderando a desenvoltura que tive para defendê-lo de aleivosias e difamações anteriores, por não acreditar que você fosse dono da JBS, da Friboi, da Vivo, da Gamecorp, da Gol...como de fato não era e não é.

          Mas, agora, não há como e nem porque defendê-lo, até mesmo se você e o Careca tivessem compartilhado uma prosaica, efêmera e descompromissada relação.

           Sua renitente negativa e agora a admissão de ter feito a viagem com o meliante passam a fazer da suspeita uma justificada seta em sua direção. Uma seta que a direita sabe envenenar muito bem.

 
 
 

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