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Reflexão - Diário de uma Idosa 299, por Joana Prado Medeiros

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 10 horas
  • 1 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto de reflexão com a professora universitária, historiadora, poeta e escritora de Dourados (MS), Joana Prado Medeiros, com seu Diário de uma Idosa 299.


EU VI A MORTE...


Uma vez, eu tive que ficar ao lado do leito de morte, fiquei das dez da manhã até às seis e pouco da tarde, era verão, fazia um calor imenso naquele quarto de hospital, e eu ao lado da cama olhando aquela criança, uma menininha linda de cinco anos de idade. Os cabelos loiros cacheados, olhos avelã, usava um velho vestidinho azul desbotado. Desde que cheguei, seu gemido era baixinho. Sentei ao seu lado e às vezes lhe dava um golinho de água, lhe enxugava a testa, os braços, as pernas, amparava seu corpinho na tentativa de algo fazer. Seu respirar fraquinho e fraquinho foi ficando cada vez mais. As enfermeiras de quando em quando vinham perguntar algo. E eu ali, sentadinha quieta olhando o seu morrer suado, o veneno da cobra cascavel que a havia picado ia minando por todos os poros. Sua pele branquinha.

Fiquei velando seu sofrer, enquanto o seu pai na companhia do meu pai e demais familiares, buscavam desesperados por toda a região o soro antiofídico. Quando retornaram, já não havia o que fazer. Eu tinha treze anos e a imagem daquele pai, carregando nos braços sua inerte filha, nunca mais saiu de mim...E aquele pequenino sobro se apagando, um passarinho. E cada vez que cruzo a porteira da fazenda, seu gemido triste molha meu olhar...O vento levinho me faz sentir frio.


(Joana Prado Medeiros - 10/02/2023 - Direitos Autorais Lei 9.610/98)

 
 
 

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