Poesia - Vento, por Paulo Portuga
- Alex Fraga

- há 6 horas
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Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor, poeta, músico e escritor, Paulo Portuga, com Vento.
VENTO
Ventava forte. Vento Norte.
Ventania. Promessa de chuva.
Está demasiadamente
quente e seco. A vegetação ressequida
pede água.
Precisava chover
uma chuva intensa para molhar a terra, respirar o ar úmido
cheirinho de terra molhada.
Mas é agosto,
só chuva de manga.
O céu ficou escuro
cor cinza-chumbo
com nuvens negras.
Parecia que vinha
o fim do mundo. A criança recolheu a pipa, a senhora retirou as roupas do varal.
O vento acelerou
girou feito pião de madeira
por sobre a cidade. Era quase uma tempestade, contrariando a meteorologia que dizia: dia ensolarado!
Árvores desfolhadas.
Galhos ao chão. A poeira vermelha subiu
sujando os quintais. Um flamboyant partiu ao meio.
O tronco caiu sobre fios. Estrondosa explosão. O transformador queimou. A energia acabou. A luz apagou.
A chuva não veio.
Acertaram a previsão do tempo.
Olhei a rua vazia e escura, e fui dormir à luz de velas.
Paulo Portuga, 02/02/2026.





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