Poesia - São Paulo da correria, por Paulo Portuga


Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor, músico, poeta e compositor de Dourados (MS), Paulo Portuga, com São Paulo da Correria.
SÃO PAULO DA CORRERIA
São Paulo da correria,
De ruas e largas avenidas
Por onde trafegam carros e gente
Como formigas e minhocas,
Orientadas por placas e sinais.
Pessoas sobem viadutos,
Somem nos túneis do metrô
E reaparecem em outros lugares,
Como num passe de mágica.
São Paulo dos edifícios de vidro,
Dos antigos casarões, monumentos e museus
Que contam sua história,
De um tempo que ainda vive.
São Paulo da diversidade,
Do velho e do novo,
Da economia e da arte,
De largos, praças e parques,
Onde pessoas vindas de todo lugar
Vivem e se aglomeram.
São Paulo de diferentes estilos, cores e tribos,
Que andam apressadas
Pelo asfalto e pelos trilhos,
De olho nos celulares.
São Paulo das favelas
Que ocupam colinas e vales,
Dos bairros populares,
Erguidos por mãos escravizadas,
Construídos por mãos imigrantes,
Que disseminam suas culturas,
Criando suas comunidades.
Bolivianos no Bom Retiro,
Italianos no Bixiga,
Judeus em Higienópolis,
Japoneses na Liberdade.
São Paulo das ladeiras
Que surgem de repente,
Da chuva e da garoa
Que deixam a capital molhada.
Águas que somem
Em bueiros e córregos canalizados,
Mas alagam as marginais.
São Paulo da fumaça
Das fábricas e dos bancos,
Dos pobres e dos ricos,
Dos engravatados da Faria Lima,
Das pessoas em situação de rua,
Das manifestações populares.
São Paulo que um dia foi vila,
Hoje é uma megalópole,
Um farol de oportunidades.
São Paulo da gastronomia,
Da média com pingado,
Do virado à paulista,
Do pastel na feira,
Do pão com mortadela no mercado.
São Paulo, quem te ama não te deixa,
Quem te conhece não te esquece.
Paulo Portuga, 20/10/2026.





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