Poesia - Rosto da rua, por Carlos Magno Amarilha

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Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS, Carlos Magno Amarilha, com Rosto da rua.
rosto da rua
na rua de casa
para tudo que é bicho
por lá
gatos cachorros pardais
(urbanizados)
e os animais sociais
passa menina moça sorridente
criança de bicicleta a milhão
mamãe com bebê no berço a trilhão
o guarda / o entregador
um homem perdido
procurando número errado
a placa abona o sinal
siga em frente
mão única preferencial
“olha o zoião! baratinho só vendo”
o carro de alto falante ligado
uma rua como outra qualquer
a não ser o poeta que repara
quem passa / quem passa





Em O rosto da rua, do poeta Carlos Magno Amarilha realiza uma delicada transfiguração do banal em arte, utilizando o cotidiano urbano como matéria-prima para a edificação estética. O texto, que à primeira vista se projeta como um simples inventário de cenas de um bairro, revela-se uma reflexão metapoética sobre a essência do olhar lírico, a capacidade singular de extrair poesia daquilo que a rotina torna invisível.
A composição espacial inicia-se com uma aproximação singular entre a fauna adaptada e a humanidade. Ao agrupar “gatos cachorros pardais (urbanizados)” ao lado dos “animais sociais”, o autor emprega uma sutil ironia sociológica. A rua surge como um ecossistema dinâmico, onde a vivacidade contemporânea é traduzida por hipérboles do falar popular, a criança…
Muito! Matou a charada, o poeta, sempre os poetas, com sentimentos, expressam a arte com originalidade em poesias.
Rita de Cássia
Dourados-Ms