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Poesia - "Rio Paraguai, berço de guerra, de paz - Parte XIX." por Athayde Nery

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 14 horas
  • 2 min de leitura

Quinta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o advogado, poeta e escritor de Campo Grande (MS, Athayde Nery, com Rio Paraguai, berço de guerra, de paz - Parte XIX.


XIX


Eeeh meu Rio Paraguai!

Que brinca, canta e não se cansa

Mas quem tu és?

Tu que fuiste llamado Laguna de los Jarayes!

Que passa faceiro em Porto Esperança

Em que até Rolling Stones traz na lembrança

No dia em que Mick Jagger virou “Miguel boca de Armal” e entrou na dança

Nunca se viu tanta fumaça da erva para se fazer um rock na mansa

E o Galvão Bueno narrando corrida de canoa na sua pista molhada

Bradando do alto da ponte:

“Vai que é tua Biguá! Vai que é tua Biguá! E cruzam a faixa final! ”

Povo não perdoa, já caçoa

E de ficar à toa jogando truco espanhol debaixo de um caramanchão

“Truuuuco pato chambão, bananinha de bulicho, capim de taipa! ”

“ Eu tenho uma flor”

Tudo se esvai, inclusive a dor

E o meu carro de boi com suas rodas gritando na estrada

“Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais”

Quebra torto, arroz carreteiro, carne em banha de porco capado

Chimarrão, trabalho de fazenda, laçada e marcação de gado bagual,

Cachorros de caçada, as carneadas, Sarrabulho, Saltenha boliviana

Caldo de Piranha para levantar desalentado

Churrasco, o Tereré, Cachaça e as redes para nossa sesta sagrada.

“Onde a comitiva esperança chega já começa a festança”

Leite no curral, Guaraná no sapicuá, e paçoca para matula no embornal

E o Berrante toca a união do Rio Paraguai com o Pantanal

Num amor indissolúvel como Araras em casal

Rio Paraguai Que não pode morrer, mas que podem matar

“Enquanto esse velho trem atravessa o pantanal,

o povo lá em casa espera que eu mande um postal!”

Já mataram o trilho de tantos amores, da Chipa “pedra”, Bife a Cavalo,

Tubaína Funada, Cabine com Beliche, Litorina

Chacoalhando cada molécula do corpo, Pão com Mortadela

Valendo à pena ver o amanhecer correndo pela janela

E o Rio Paraguai espiando a gente atravessar a ponte

E a Polca Rock abre caminho nesse espaço

O novo se encontra com o velho em troca de um abraço

Rio Paraguai é o canto do mundo de Atahualpa Yupank, com Los Hermanos

Na voz dessa América feminina de Mercedes Sosa

“Yo tengo tantos hermanos, que no los puedo contar!

Y una hermana muy hermosa! Que se llama libertad”

 
 
 

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