Poesia - Retratos do Sinal Vermelho, por Fabiano Pereira
- Alex Fraga

- 9 de nov. de 2024
- 1 min de leitura

Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o empresário, poeta e escritor de Dourados (MS), Fabiano Pereira, com "Retratos do Sinal Vermelho".
RETRATOS DO SINAL VERMELHO
Próximo ao cruzamento,
o farol vermelho se acende.
O automóvel se aquieta,
e começa o fluxo de gente.
Ao lado, tem índio na carroça,
no canteiro, a moça do pão.
O sustento vem lá da roça;
fez dessa vida sua razão.
Diz que não vai desistir nunca,
enquanto tiver força na mão.
O policial na esquina, atento,
a fazer sua anotação:
ai daquele que não cumpre
o que diz a Constituição.
— Ande direito, jovem mancebo,
ou te coloco numa prisão!
O aleijado na frente do banco,
esperando sua contribuição;
tem ainda o venezuelano,
com seu cartaz de papelão,
rogando uma vida melhor
aqui, longe de sua nação.
O sinal continua vermelho,
o sol forte impede a visão
de ver as árvores na calçada,
com suas folhas mal podadas,
protegendo o cidadão.
A mãe entra na farmácia,
segurando o rebento na mão;
vai gastar o pouco que tem
no remédio que é refém
pra curar sua aflição.
O vento não aparece,
o calor é insuportável,
o pedestre cruza a faixa
nessa tarde insustentável.
O passarinho pousa no fio,
não tem vontade de cantar.
Olha o cachorro que nunca latiu,
com seu estômago vazio,
buscando força pra continuar.
Os malabares lançaram garrafas;
fingi que não os vi.
Não tinha nenhum trocado,
há tempos estou parado,
esperando o sinal abrir.
De repente, escuto a buzina,
foi a cor que mudou do sinal.
Paro de olhar a esquina,
aperto o pé no pedal.





Retratou muito bem alguns dos cruzamentos de Dourados, Parabéns Fabiano. Abraço.
Muito bom e criativo Fabiano. Parabéns!
Não é porque é meu filho mas é porque foi muito criativo, bem bolado, gostei muito, continua assim
Adorei.
Viviane Teixeira
Dourados MS