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Poesia - Paródia do Caboclo, por Isaac Ramos

Foto do escritor: Alex Fraga
Alex Fraga
há 9 horas
1 min de leitura

Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor universitário, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Isaac Ramos, com Paródia do Caboclo.


PARÓDIA DO CABOCLO

(Isaac Ramos)


Quando nasci, um boto torto

Desses que engravidam cunhatãs, 

Disse: Vai, Isaac! ser caboclo na vida.


As tabas enxergam os curumins

Que correm atrás das iaras.

A tarde talvez fosse argila,

Não houvesse tantos desejos pré-moldados.


O barco passa cheio de pernas:

Pernas bugras índias mestiças.

Para que tanta perna, pergunta meu coração.

Que não é tikúna, mas tabatinguense do mundo.


O caboclo atrás do chapéu

Não tem cocar, é homem simples do Solimões.

Joga a rede no rio sem conversa.

Se pegar um fio de prosa, conversará com o boto.

Este, que não dá bolo, singra em banzeiro manso.


Meu Deus, por que me abandonaste

Se sabias que eu não era índio

Se sabias que eu era ingrato?


Mundo amazônico vasto Amazonas,

Se eu tivesse um nome de caboclo

Seria um arrimo, não seria uma partição.

Mundo amazônico vasto Amazonas,

Mais casta é minha amplidão.


Eu não queria te dizer

Mas essa Tabatinga

Mas essa batida intensa

Botam a gente em pororoca de versos.


 
 
 

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há 5 horas
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