Poesia - O último Voo, por Isaac Ramos


Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Isaac Ramos, com "O último voo".
O ÚLTIMO VOO
( Isaac Ramos)
Partiu em voo infinito Wlademir Dias-Pino!...
O poeta das cores, do designer gráfico,
Das Caligrafias, do Intensivismo, da Poesia Concreta,
Do Poema Processo, do Humor da linha,
Dos Poemas Desmontáveis (antes mesmo das caixas-poema),
Das Escritas Arcaicas, das Vinhetas Gráficas,
Dos Perfis das Mulheres, das Latências da poesia,
Dos Contrapoemas e Anfipoemas (com Regina Pouchain),
Das Bienais de Arte e da imensa Enciclopédia Visual.
Foi uma ave de arribação dentro de sua cor
E mostrou Cuiabá no centro geodésico da Literatura.
Sabia de cor a lida das artes gráficas.
Foi vanguarda em estado de permanência.
Nas Febres do capricho do Concretismo,
Esse poeta designer tirou de letra toda vaidade.
Metaforicamente, viu “A fome dos lados”
E criou “A máquina que ri”.
Na lida do dia-a-dia, do poema visual,
Wlademir Dias-Pino era um sol.
Colocou no mapa das revistas “O Arauto de Juvenília”,
As serigrafias de “Sarã”, que preparou o Intensivismo.
Em dado momento, pelas mãos de Silva Freire,
Bugrinho parceiro e neobarroco,
Pousou na “Revista Movimento” da UNE,
Nos idos da década de 50.
“A Ave” mítica preparava o voo do livro de artista.
Foi soberano na arte poética visual,
De forma sólida preparou SOLIDA.
Formou escola intensivista.
Compôs o grupo concretista.
Foi pioneiro no Poema-Processo.
Produziu poemas em matrizes.
Tudo nele foi “Numéricos”.
Partes de um todo.
“Processo: linguagem e comunicação”.
Perto do final do poema,
Penso “Naquele flutuar das escritas caligramas”.
Não é “A máquina ou a coisa em si”.
Talvez seja “A lisa escolha do carinho”,
Ou a sutileza das “Caixas transparentes”,
Ou a graça das “Silhuetas femininas”,
Ou a história do projeto gráfico-poético,
Ou a Pré-história da vanguarda poética brasileira
Como uma leitura projetada nos labirintos do silêncio,
Talvez seja a separação entre escrever e inscrever,
Talvez seja a esperança
Para “converter em luz para si mesma a cor”.
Não sei!...
Sei apenas que partiu das transparências à escultura.
Wlademir tem uma “cor que lhe permite luz”.
Essa luz é a literatura!
(Poema escrito In memorian ao poeta Wlademir Dias-Pino, falecido no dia 30-08-2018)





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