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Poesia - O último Voo, por Isaac Ramos

Foto do escritor: Alex Fraga
Alex Fraga
há 12 horas
2 min de leitura

Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Isaac Ramos, com "O último voo".


O ÚLTIMO VOO

( Isaac Ramos)


Partiu em voo infinito Wlademir Dias-Pino!...

O poeta das cores, do designer gráfico,

Das Caligrafias, do Intensivismo, da Poesia Concreta,

Do Poema Processo, do Humor da linha,

Dos Poemas Desmontáveis (antes mesmo das caixas-poema),

Das Escritas Arcaicas, das Vinhetas Gráficas,

Dos Perfis das Mulheres, das Latências da poesia,

Dos Contrapoemas e Anfipoemas (com Regina Pouchain),

Das Bienais de Arte e da imensa Enciclopédia Visual.

Foi uma ave de arribação dentro de sua cor

E mostrou Cuiabá no centro geodésico da Literatura.

Sabia de cor a lida das artes gráficas.

Foi vanguarda em estado de permanência.

Nas Febres do capricho do Concretismo,

Esse poeta designer tirou de letra toda vaidade.

Metaforicamente, viu “A fome dos lados”

E criou “A máquina que ri”.

Na lida do dia-a-dia, do poema visual,

Wlademir Dias-Pino era um sol.

Colocou no mapa das revistas “O Arauto de Juvenília”,

As serigrafias de “Sarã”, que preparou o Intensivismo.

Em dado momento, pelas mãos de Silva Freire,

Bugrinho parceiro e neobarroco,

Pousou na “Revista Movimento” da UNE,

Nos idos da década de 50.

“A Ave” mítica preparava o voo do livro de artista.

Foi soberano na arte poética visual,

De forma sólida preparou SOLIDA.

Formou escola intensivista.

Compôs o grupo concretista.

Foi pioneiro no Poema-Processo.

Produziu poemas em matrizes.

Tudo nele foi “Numéricos”.

Partes de um todo.

“Processo: linguagem e comunicação”.

Perto do final do poema,

Penso “Naquele flutuar das escritas caligramas”.

Não é “A máquina ou a coisa em si”.

Talvez seja “A lisa escolha do carinho”,

Ou a sutileza das “Caixas transparentes”,

Ou a graça das “Silhuetas femininas”,

Ou a história do projeto gráfico-poético,

Ou a Pré-história da vanguarda poética brasileira

Como uma leitura projetada nos labirintos do silêncio,

Talvez seja a separação entre escrever e inscrever,

Talvez seja a esperança

Para “converter em luz para si mesma a cor”.

Não sei!...

Sei apenas que partiu das transparências à escultura.

Wlademir tem uma “cor que lhe permite luz”.

Essa luz é a literatura!


(Poema escrito In memorian ao poeta Wlademir Dias-Pino, falecido no dia 30-08-2018)



 
 
 

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