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Poesia - Lúbrica, por Isaac Ramos

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 17 de nov. de 2025
  • 1 min de leitura

Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor universitário, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Isaac Ramos, com "Lúbrica"


LÚBRICA

(Isaac Ramos)


Escrevo torpes versos que

Insaciavelmente

Insistem em se mostrar

Não os nego, revelo-os

E, por isso, escancaro o verbo

Todavia nada mostra sobre meus sentimentos.


Desejos recônditos, suplícios e tormentos

Vêm à tona

É preciso que eles gritem

O canto inaudito

E que molhem o corpo com metáforas e hipérboles

E que delas saiam o sumo maldito

Todavia toda palavra se esvai.


Em prantos convulsos de suspiro

Teu desejo não silencia

Não estanca um só instante

E como uma adaga errante

Busca me serpentear

O pudor se perde nas entrelinhas

Quero crer que meu espanto

Será maior que meu encanto

Pois os meus desejos

Não são os mesmos que os teus.


Grito

Suplico

Amplio

A esmo

Mesmo assim teu corpo

Molhado no meu poema

Mostra o brilho da lubricidade.


E assim me encontras

Vestido de alma de poeta

E estendida no leito do poema

Faz-me saciar a geometria do desejo

De palavras copuladas com o silêncio

Que não queres ouvir

Ou que não deseja entender.


Solidão atroz

Lúbricos desejos arrefecidos

Rapidamente

Depois de recuperada a metáfora

O verbo novamente me domina.


(Livro Teias e Teares, 2014, p.70-71)

 
 
 

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17 de nov. de 2025
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