Poesia - Fronteiras, por Marcos Coelho
- Alex Fraga

- 24 de mai.
- 2 min de leitura

Domingo no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Marcos Coelho, com Fronteiras.
FRONTEIRAS...
Marcos Coelho
Fronteiras mentais...
Meu amor é carregado em fronteiras...
Campinas verdejante de brejo mui seguro...
Onde coaxam sapos e cantam pererecas...
As libélulas voam livres, acompanhadas de pirilampos...
A vida se colore de florezinhas marotas...
Sorrisos mui frouxos entre risadas estridentes...
Os sons me comovem entre os raios de sol...
Poderia sorrir totalmente banguela...
O sonho não acabou,
Visto que o dia não acordou...
E as vozinhas mal cosem seus bordados...
Os panozinhos em retalhos bem medidos e cortados...
Os pezinhos dos bebes bem aquecidos nos sapatinhos de lã...
Elas tecem entre linhas os fios que aquecem a infância...
Os balanços esquecidos em tábuas velhas...
Penduradas nas árvores frondosas...
As cordas seguem velhas...
O tempo padeceu na solidão esquecida...
As crianças não brincam mais ali...
As crianças agora estão esquecidas nas memórias de gente adulta...
O tempo passou...
Em alguns jaz a ferida...
Em outras memórias quentinhas...
As horas agora são a cura ou o esquecimento...
A cura e o esquecimento podem curar o coração ferido...
A memória arranhada na cicatriz deixada...
O livro ou os diários, tudo se mistura ao vivido...
O tempo e o rodopio do vento...
Às vezes, o tempo varre folhas e memórias, desprega galhos e certezas...
O tempo e o vento são irmãos na mudança...
Chamam águas e tempestades que lavam e arrasam tudo...
O poeta segue a coser os retalhos de memórias...
Os romances e as tragédias para reconciliação...
A paixão oprimida de um tempo seguro e incauto...
O fato e o concreto... a fantasia e a ilusão...
O amor está ali, quem se atreve?
O beijo dos amantes... a pele, o toque e o sentido...
Tudo transpira e na pele fluem prosas e revivem em poesia...
Gêneros os há e muitos tipos também...
Mas só o verdadeiro e ousado amor acontece...
A ampulheta trabalha a areia do desejo transcendente...
Saber o que é de verdade...
Só a ousadia de viver descobrirá...
O poeta tenta acompanhar...
O verossímil e o inverossímil...
Verso, inverso, reverso, palavra e sentido... ali o que há de vero é a poesia.





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