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Poesia - A gosto da primeira chuva, por Isaac Ramos

Foto do escritor: Alex Fraga
Alex Fraga
há 11 minutos
1 min de leitura

Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor universitário, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Isaac Ramos, com A gosto da primeira chuva.


A GOSTO DA PRIMEIRA CHUVA 

(Isaac Ramos)


Sem cerimônia, em agosto,

A chuva dá um beijo de língua na terra

Que, ressecada,

Por falta de uso do verbo,

Em gotas se molha.

Pelos vãos infindos,

Pela ferida inflingida,

Pela poesia parida

Escorrerá todo sêmen,

Em palavras,

Que fecundarão

As sementes do poema.


Nos grotões da alma,

A gosto do poeta,

Haverá primavera

Para que setembro não cinze

Para que a poesia 

Seja erguida em cinzel.


Pluveia em mim carícias essenciais,

Enxuga-me o corpo e se empalavre.

Perder-me-ei nas tuas funduras,

Tuas agulhas em textura,

Me fazem ser uma pessoa especial.

Alivia-me, advinha-me

Em gotas metafóricas.

E a gosto do poeta,

Injeta, inala, instiga 

Tantas falas,

Anaforicamente,

Anatomicamente, 

Em contornos  metonímicos.

Entre pérolas de hipérbole,

Catacresicamente 

Mova-me,

Para que eu retumbe

Tua insânia voz.


Personifica meu texto,

Para que eu tenha um pretexto,

Para que o poema anuncie,

Para que do ócio e do cio,

Eu sinta o sabor do vício, 

Para que eu não pare de escrever.

Enquanto as chuvas de setembro

Não vêm, pluvia, 

Prepara a minha conversa.

Prepare-se para os meus versos

Porque eles não param 

De gotejar, 

Intensamente dentro de mim.


 
 
 

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