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Poesia - Fenda, por Paulo Portuga

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 2 horas
  • 1 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor, poeta, escritor, músico e compositor, Paulo Portuga (Dourados-MS), em parceria com o músico Dantas Solo, com Fenda.


FENDA


Entenda, em algum ponto tem uma fenda

Que aguenta mais um aperto.

Que seja, para escapar ileso, eu voo

E levo a omoplata, sem asa e mais leve.


Perceba, que o papel de seda

Que envolve tanta imaginação

Ilumina meu quarto entre os dedos da mão;

E ascende as lanternas do ano do dragão.


Eu tenho a certeza de que, sem viagem, não há paisagem

E nem certas certezas deveriam haver.


Você ia, eu vinho; você briga, me embriago.

Você insiste, eu assisto, a tudo calado;

Do fundo do poço trago o estrago

E a rolha que no fundo da taça boiava.


Prossiga como o vento, com palavras imortais,

Fragmentos siderais dando voltas no cometa Halley.

Só de tempos em tempos, tocando a campainha:

Como Dalí, rimando latidos de um cão andaluz.


Paulo Portuga & Dantas Solo, 23/09/2018.

 
 
 
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