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Poesia - Ex-canção do exílio, por Isaac Ramos

Foto do escritor: Alex Fraga
Alex Fraga
há 6 horas
2 min de leitura

Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor universitário, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Isaac Ramos, com "Ex-canção do exílio


EX-CANÇÃO DO EXÍLIO

(@s velh@s companheir@s de militância)


Oh, que saudades que eu tenho!

Das análises de conjuntura,

Das reuniões intermináveis,

Das paqueras militantes,

Dos amores coadjuvantes,

Dos panfletos diletantes,

Que os anos 70 e 80 não trazem mais!...


Oh, militância salgada!..

Quantas lágrimas dos teus (a)mares

São lágrimas do meu Brasil,

E não de Pessoa ou Portugal?

Nossas práticas eram as melhores,

Nosso grupo era o mais puro.

E há quem jure:

Nossa voz era a mais forte.

Discutíamos infinitamente

Todos os direitos

De quem tinha direito

(Sobretudo, o dos excluídos).

Montávamos chapas, torcíamos o nariz para conchavos

E, inclusive, passávamos apuros.

Todavia, não ganhávamos eleições.

Tudo isso "Sem perder a ternura jamais!".


Hoje, após dissidências,

Temos outras maledicências.

No entanto, o comum nos UNE.

Não o daquela entidade estudantil

Cuja nossa força era "A nossa voz".

Acho mesmo que não mais lemos "O Capital'

(Daquele velho filósofo alemão)

E outras leituras do gênero,

Com o mesmo fervor.

Porém, sempre que necessário, agitamos as nossas bandeiras.

E temos concepções de esquerda,

Apesar de umas e outras divergências

Por causa do PT, PCdoB, PSOL, PSTU...


Conservamos certas loucuras,

Descontando os esquecimentos próprios da idade.

Achamos outros tipos de amores,

Que não nos cobram obrigações e louvores.

Afinal, militante de carteirinha é contra

Qualquer burocracia

(inclusive a do amor).

Nossos defeitos e desprazeres

Estão nos museus de cera

Da História dos movimentos Sindical e Estudantil.

Os nossos ideais, oxalá!

Estes sim devem ser servidos

À mesa, com poesia, vinhos, champanhes e cervejas.

Aos que chegaram até aqui, incólumes ao álcool,

Sucos naturais e bebidas afins.

De preferência, todas as vezes

Que os botões de cravos e flores se abrirem.

Salut, companheiros!


(Isaac Ramos)

 
 
 

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