Poesia - Ex-canção do exílio, por Isaac Ramos


Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor universitário, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Isaac Ramos, com "Ex-canção do exílio
EX-CANÇÃO DO EXÍLIO
(@s velh@s companheir@s de militância)
Oh, que saudades que eu tenho!
Das análises de conjuntura,
Das reuniões intermináveis,
Das paqueras militantes,
Dos amores coadjuvantes,
Dos panfletos diletantes,
Que os anos 70 e 80 não trazem mais!...
Oh, militância salgada!..
Quantas lágrimas dos teus (a)mares
São lágrimas do meu Brasil,
E não de Pessoa ou Portugal?
Nossas práticas eram as melhores,
Nosso grupo era o mais puro.
E há quem jure:
Nossa voz era a mais forte.
Discutíamos infinitamente
Todos os direitos
De quem tinha direito
(Sobretudo, o dos excluídos).
Montávamos chapas, torcíamos o nariz para conchavos
E, inclusive, passávamos apuros.
Todavia, não ganhávamos eleições.
Tudo isso "Sem perder a ternura jamais!".
Hoje, após dissidências,
Temos outras maledicências.
No entanto, o comum nos UNE.
Não o daquela entidade estudantil
Cuja nossa força era "A nossa voz".
Acho mesmo que não mais lemos "O Capital'
(Daquele velho filósofo alemão)
E outras leituras do gênero,
Com o mesmo fervor.
Porém, sempre que necessário, agitamos as nossas bandeiras.
E temos concepções de esquerda,
Apesar de umas e outras divergências
Por causa do PT, PCdoB, PSOL, PSTU...
Conservamos certas loucuras,
Descontando os esquecimentos próprios da idade.
Achamos outros tipos de amores,
Que não nos cobram obrigações e louvores.
Afinal, militante de carteirinha é contra
Qualquer burocracia
(inclusive a do amor).
Nossos defeitos e desprazeres
Estão nos museus de cera
Da História dos movimentos Sindical e Estudantil.
Os nossos ideais, oxalá!
Estes sim devem ser servidos
À mesa, com poesia, vinhos, champanhes e cervejas.
Aos que chegaram até aqui, incólumes ao álcool,
Sucos naturais e bebidas afins.
De preferência, todas as vezes
Que os botões de cravos e flores se abrirem.
Salut, companheiros!
(Isaac Ramos)





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