Poesia - Domingo de Feira Livre, por Carlos Magno Amarilha
- Alex Fraga

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Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Carlos Magno Amarilha, com "Domingo de Feira Livre"
DOMINGO DE FEIRA LIVRE
A menina pediu para seu pai
comprar a boneca que
estava sorridente para ela
O vendedor rapidamente aproximou-se:
Ela chora, faz cocô,
da risada, dorme,
almoça e janta
tudo isso por apenas cinquenta reais.
A menina em voz alta “compra papai”, “compra papai”
O pai respondeu dou quarenta e cinco. Fechado.
“papai”, “papai”, “agora quero pastel!”.
O pai todo educado
“agora não filha, vamos logo para casa
que o almoço já vai sair
e você precisa cuidar da boneca
afinal, ela precisa comer, dormir,
fazer suas necessidades fisiológicas”.
A menina respondeu na lata:
“Não papai,
não é necessidade fisiológica
é cocô mesmo”.
[In: Poesia em 360 graus)





O poema "Domingo de Feira Livre", de Carlos Magno Amarilha, transcende a simples rima para se tornar uma verdadeira cena de cinema capturada em palavras, um "causo" que pulsa com a vivacidade das manhãs de domingo. A obra mergulha na magia desse cenário tão brasileiro, onde a feira não é apenas um local de trocas comerciais, mas um palco de encontros e performances sociais. Através de figuras de linguagem que dão vida ao inanimado, vemos o feirante criativo exercer sua lábia quase teatral, personificando uma boneca que "sorri" e "come" para seduzir o olhar infantil. É nesse jogo de persuasão que surge a figura do pai negociador, fechando o trato com a clássica barganha que reduz o preço e sela…