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Poesia - Chuva na Varanda, por Cláudia Finotti

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura
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Domingo no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com a poeta e escritora de Campo Grande (MS), Cláudia Finotti, com "Chuva na Varanda"


Chuva na varanda



É noite ,

e chove lá fora.

As horas seguem frescas,

regadas por sonhos

recém despertos

num ritmo cheio de pausas e silêncios...


Preparo um chá

de ervas colhidas no meu quintal,

e me acomodo

na cadeira de balanço

deixada na varanda


enquanto vejo a chuva

molhando a noite

que passa sozinha,

sem estrelas,

nem lua no céu

a lhes acompanhar,

apenas a noite

e o tic-tac das horas

tecendo o infinito do tempo.


Sinto -me

como uma criança

embalada no colo

quentinho de minha avó.(A Grande Matriarca)


vai pra lá...

vem pra cá...

Uma paz profunda

invade minh'alma

e me faz sentir plena...

segura...completa...

totalmente preenchida

por esse amor incondicional e constante.

Sua onipresença me acompanha,

fortalece e inspira.

Minha avó sempre foi

meu "Deus tangível"!


Observo esse velho, o Tempo,

sem pressa...

horas não são contadas,

apenas valseiam livres

em pensamentos

tão compassados

quanto a chuva que cai lá fora...

Chuva que lava telhados,

encharca o chão,

e faz a vida brotar no árido sertão

das almas secas.


Rompe distâncias imaginárias

levadas por barquinhos de papel

deixados por alguma criança,

distraída na multidão

que, agora, entorpecidos dormem,

enquanto o mundo gira

feito um lúdico e alienante carrossel.


uma satisfação inocente

inunda meus sentidos,

iluminando , aquecendo e

transbordando em meu peito,

fazendo uma imensa alegria

pulsar meu coração,

vindo a tona ,uma doce recordação.


Não! Isso não é uma ilusão,

uma percepção equivocada da realidade,

uma distorção dos sentidos ou

do pensamento que faz com que

se veja algo que não existe

ou se interprete algo de forma errada.

Não! Definitivamente ,não é uma ilusão!


Lembro de rir alto

correr descalça

brincar na chuva

de braços abertos , girando rápido,

sentindo a chuva cair no rosto

e me lavar por inteira


e ouvir minha avó Clarice dizendo

mansa e claramente:

-"depois entre e tome um banho quente,

seque bem os cabelos

e beba um chá de limão e cidreira

que a vovó preparou.

Não esqueça de colocar meias...


...essa é uma experiência de pura liberdade!

De uma alma elegante e leve,

como às manhas de Primaveras devem ser...

Livres de preconceitos e do peso mórbido

de falsos pudores.

Mas, não vá se resfriar!!

Acho que por isso mesmo,

gosto do cheiro e do som

que a chuva faz

ao cair dos telhados

das velhas casas ...

debruçando preguiçosamente

sobre a grama verde ...


...sussurrando baixinho,

quase inaudível,

como palavras jogadas ao vento,

engravidando as plantas em pensamento,

possibilitando a magia da Vida acontecer

nesse exato e fértil momento.


Despertando pretensiosas Primaveras.

Abrindo pétalas, em flor.

Cheiros , cores, e variadas formas

se misturam , se abraçam e se aceitam,

para o eterno clico de vida e morte no jardim.


Cada estação chega trazendo lembranças

de um tempo que eu era criança

e minha saudosa avó Clarice

plantava e colhia

seus aromáticos chás

de ervas medicinais

no fundo de seu abastado quintal.


Semeando Realidades e Presentes.

Cultivando Sonhos e Futuros,

entre canteiros generosos e fartos,

de morangos doces

e tomates maduros.


Flores colorindo as tardes,

ainda em botão.

Abrindo em alvoreceres

sempre festivos e confiantes.

Ensinando com Maestria,

a magia de celebrar a Vida

com alegria e abundância.


E, eu,

que TUDO com ela aprendi,

sento-me aqui,

em sua cadeira de balanço,

com o chá colhido no jardim,

o coração grato e em paz,

nessa varanda que já foi sua,

vendo a chuva cair lá fora

uma vez mais ,

num jardim que se refaz

ano após ano,

num ciclo de recomeços e descobertas,

projetado como notas

em uma vultosa partitura,

ressoando uma Sinfonia

tão minha quanto tua...

bela, completa e inteira,

escrita a 4 mãos.


Heis o encanto

multidimensional da Vida:

O encontro atemporal

do Verdadeiro Amor Imortal

entrelaçando minhas vívidas memórias

e eternos sentimentos...

Eu , você e a chuva que cai lá fora,

desenhando uma singular paisagem

sensorial, bela e rica,

que valida cada minuto

de minha confortável e bonançosa Vida!!!



Cláudia Finotti

27/11/25

 
 
 

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