Poesia - Sob o mesmo céu, por Paulo Portuga
- Alex Fraga

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Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor, músico, poeta e compositor de Dourados (MS), Paulo Portuga, com "Sob o mesmo céu".
SOB O MESMO CÉU
Março de eventos cósmicos.
Planetas desfilarão alinhados
na matéria escura do céu.
A Terra desliza entre o Sol e a Lua.
Eclipse lunar, lua de sangue,
maravilhas interestelares...
Equinócio de outono.
Vênus se aproxima de Netuno.
Vasculho o céu nas madrugadas.
A luz zodiacal se espalha na poeira
de restos de corpos celestes.
Olhando a lua cheia subir,
uma estrela cadente rasga o horizonte.
Um satélite passa, iluminado pela luz solar.
Aqui no MS o céu é mais limpo.
Menos poluído, dá pra ver melhor.
Imagino os mísseis caindo sobre o Oriente Médio.
Que merda de guerras são essas?
Como deve ser ruim olhar para o céu riscado
por mísseis e bombas vindo em sua direção...
Abaixo os olhos com vergonha.
Vergonha das guerras.
Lembro-me que aqui também
há uma guerra silenciosa que
mata mulheres com brutal banalidade.
São mísseis que caem no meu coração.
Explosão de raiva e dor.
Por que tanto ódio à mulher?
Acho que falta olharmos mais para o céu,
admirar sua beleza e seus mistérios.
Perceber que somos uma gota,
um grão de areia no deserto, portanto insignificantes.
Vivemos por pouco tempo
— um segundo do tempo geológico.
Estamos aqui para amar e florescer.
Para abominar as guerras
e combater toda forma de violência
principalmente contra as mulheres.
Paulo Portuga, 03/03/2026.





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