Poesia = 1oo ver navios, por Carlos Magno Amarilha
- Alex Fraga

- 1 de mai.
- 1 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Carlos Magno Amarilha, com 100 ver navios.
100 VER NAVIOS
Mais um brejo que se vai
mais um edifício que se levanta
empreendedores do empreendedorismo
mais uma vez é o turismo que ganhou $
o preço dobrou
o hotel de luxo chegou
para dar empregos
aos limpadores de banheiros e geral
mais uma vila que vira shopping
mais uma vez o ribeirinho
é expulso de uma só vez
chega tanta gente estranha
que vende o lugar paradisíaco
cada passeio o olho da cara
que o caiçara nem pode mais visitar
e isso não é bonito de se ver!
(In: Asas Urbanas, 2019, p. 68).





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Bonito... Exatamente isso... Chegou o tal "turismo" e só enriqueceu os forasteiros ... E o morador, ou seja, o Caiçara ficou a ver navios na cachoeiras ...
Edu Leandro
Campo Grande
Sabe aquela história de que o progresso chega para todo mundo? Pois é, o poema "100 Ver Navios" joga um balde de água fria nessa ilusão. O texto é um retrato nua e crua do que acontece quando o dinheiro do turismo atropela a vida de quem sempre cuidou da terra. É o famoso "ganha, mas não leva".
A coisa começa com o concreto engolindo a natureza: o brejo vira prédio e a vila vira shopping. O discurso dos "empreendedores" é sempre o mesmo, prometendo emprego e desenvolvimento. Mas o poema é letal na ironia: que emprego é esse? É o subemprego, a galera local sendo contratada só para limpar o banheiro dos luxuosos hotéis que eles mesmos não podem…
A obra descreve a transformação radical de uma paisagem natural e social em um produto de consumo. O autor utiliza o contraste para evidenciar a desigualdade: onde havia um brejo (natureza), levanta-se um edifício onde havia uma comunidade), surge um Shopping.
O cerne da crítica reside na falsa promessa de desenvolvimento. O poema ironiza os "empreendedores do empreendedorismo", revelando que o lucro gerado pelo turismo de luxo não circula na comunidade de forma justa. Em vez disso, a população local, o ribeirinho e o caiçara é submetida a uma dinâmica de exclusão do próprio morador para os empresários que só querem lucros