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Poema - Rio Paraguai, por Cláudia Finotti

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Domingo no Blog do Alex Fraga é dia de poema com a poeta e escritora de Campo Grande (MS), Cláudia Finotti, com Rio Paraguai.


RIO PARAGUAI

(Cláudia Finotti)


Do útero quente e fértil da Serra dos Parecis,

Nasce o 4° curso d'água mais longo

da América do Sul.

Rio Paraguai, que em Guarani significa: Rio dos Paiaguás, povo nativo que habitava suas margens largas e,

Adornavam suas cabeças com cocares e penas de papagaios.


Sua suntuosa geografia,

Desenha a Tessitura viva, que ainda ressoa um grito bravio e forte, abraçado pelo Tempo, de mais de 15 etnias, registradas por Álvar Nunes- Cabeza de Vaca.

Hoje, extintas, engolidas pelas margens da história...


Onde sítios Arqueológicos

Debruçam sobre Eras

Encharcadas pelo Mar de Xaraés.

Um fio tênue e mágico

Sustenta culturas que ainda ecoam seu canto primitivo,

Como um lamento marginal

Unindo o visível ao intangível ancestral...


É a digital do Criador.

O UNO projetando -se no espelho múltiplo da criação!

Rio Paraguai, de águas escuras e profundas,

Banhando-nos em seus infinitos mistérios e grandezas, desse Arquétipo Inefável em absoluta força e ação!


A Natureza da matéria se dissolve em Sua Essência Sagrada, misturando-se nas areias do Majestoso Rio Paraguai, em completa comunhão, no retorno ao Berço do Mundo.


Eixo horizontal que atravessa a periferia do Tempo, em memórias Ancestrais, onde Corumbella se faz Presente, recontando nossa propria história, anunciando ao mundo e a toda essa "Brava Gente"!


Camalotes pintam as águas do Rio Paraguai de Verde Bandeira, onde os índios Guató singrando nos corixos e brejos, colhem as farturas das cheias em canoas de um pau só.


Chalanas, sobem e descem esse longo rio, abraçado pelo Cerrado, transportando todo tipo de gente e mercadorias...


Paraíso a contemplar, num pôr-do-sol que derrama uma paleta inteira de cores em suas águas barrentas, como telas de Caravaggio, iluminando a face barroca de Narciso, refletida em suas plácidas águas,com hábeis pinceladas de luz e sombra...


Ou, simplesmente,

Registrando habilmente, a beleza eloquente do ecossistema, que canta e declama, com Magistral brilhantismo, às músicas, lendas e folclore, num ciclo que encanta e nunca ACABA, na voz primitiva e original, dos Canta-Dores do Pantanal.


Rio Paraguai, que banha o Colosso do Amolar, profetizando mistérios ainda por desvendar...


Que vislumbra o nascente do sol

Ardendo e soprando calor aos altivos Carandás, que se erguem soberanos em meio a charcos, tuiuiús e aguapés .


Qual Bandeiras VERDES agitadas,

Sinalizando resistência às queimadas,

Anunciando o porvir da Esperança...

Porto, que renasce das cinzas, brotando das cheias do Rio Paraguai.


O protagonismo do Rio Paraguai, na Guerra da Tríplice Aliança e na resistência do Forte Coimbra, pela"Liberdade de Navegar"em suas profundas águas, me faz pensar ,na relevância socio-politico-economica que fundamenta a sua importância como rota hidrográfica na exploração da exuberante e SEMPRE rica América do Sul.


Rio Paraguai, que segue lambendo fronteiras inteiras: Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina, desaguando finalmente, como Majestoso afluente do Rio Paraná, próximo à cidade de Corrientes, dos Charruas, hermanos argentinos.


Rio Paraguai, suas águas fertilizam campos e sonhos,

Sustentam Nações,

Unem culturas e projetos,

Em um Bioma pungente e poético,

Em prol da Vida e, Vida em Abundância!!!

 
 
 

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