Poema - Buzina da Periferia, por Carlos Magno Amarilha
- Alex Fraga

- 3 de out. de 2025
- 1 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Carlos Magno Amarilha, com "Buzina da Periferia"
BUZINA DA PERIFERIA
aquela freada do ônibus
em cada parada
repete-se a dose
o ronco do motor
entra pela porta do fundo, do cobrador
sai pela porta da frente, do motorista
no caminho de calçadas
hora bonita
outra esculachada
loja tal, falta 15 minutos
tal ponto, 10 minutos
cada conversa que escuto
do prefeito, vereador, padre, pastor
artista e da vizinha que nunca falha
principalmente do cabelo dela
do gol perdido no domingo
na segunda feira é repetido
pela besteira feito pelo jogador
em perder o gol feito
nunca falha, notícias de todos os tipos
a cidade inteira cabe ali
o povo é sabido
é a voz de Deus!
uma lástima
que o prefeito, vereador, padre, pastor
artistas, não andam de ônibus coletivos
nem nossos futuros dirigentes
que ainda são estudantes
e vão de UBER, TAXI.
(Ne’e’poty Porã Arandu, 2025)





Agradecido por lerem o poema em que ecoa uma percepção de ausência na comunicação entre os líderes e a base da sociedade. A forma como o poema é estruturado de maneira contundente:
1. A Voz da Base é Ignorada (A Desconexão)
O poema estabelece o ônibus coletivo como o lugar do conhecimento popular ("o povo é sabido / é a voz de Deus!"). É ali que a cidade inteira "cabe" em conversas sobre política, religião, esporte e a vida cotidiana. A percepção do poeta é que, apesar dessa voz ser rica, autêntica e essencial para a gestão pública e espiritual, ela é sistematicamente ignorada pelos dirigentes.
2. A Escolha pelo Isolamento (A Barreira)
O clímax da reflexão é a "lástima"…
Quem nunca andou de ônibus urbano, não poderiam de cargo público, muito menos cargos de confiança .
André Silva
Campo Grande