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Artigo - O Estado Rico e o Cidadão Desemparado, por Paulo M. Esselin

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    Alex Fraga
  • há 1 hora
  • 4 min de leitura

Nesta sexta-feira no Blog do Alex Fraga mais um artigo do professor titular aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Paulo M. Esselin, com "O conselheiro Ridel: O Estado rico e o cidadão desemparado: onde está o dinheiro de Mato Grosso do Sul?


O conselheiro Ridel: O Estado Rico e o Cidadão Desamparado: Onde está o dinheiro de Mato Grosso do Sul?


***Paulo M. Esselin


O governador Eduardo Ridel, tem utilizado veículos de alcance nacional para direcionar críticas e "conselhos" à gestão econômica federal, focando principalmente no equilíbrio fiscal e na oposição ao aumento de impostos.

Nessas postagens e entrevistas, publicou um vídeo criticando a gestão econômica do atual governo, segundo ele, “o Brasil gasta muito e gasta mal”, comparando a condução fiscal do governo federal com a política adotada no estado. “No Mato Grosso do Sul, a gente faz [...] Impostos mais baixos, transformação de gasto em investimento, crescimento econômico e inclusão produtiva com a redução da pobreza extrema.”

Já ao Correio Braziliense em fevereiro de 2026, tentando reforçar sua imagem de gestor técnico e utilizando o modelo de Mato Grosso do Sul como exemplo de eficiência, destacou que o alto volume de orçamento destinado apenas a políticas sociais, sem contrapartidas de produtividade, gera reação negativa dos investidores e instabilidade econômica.

Defendeu que a melhor política social é o equilíbrio fiscal. Na visão dele, se o governo federal não controlar os gastos (incluindo a revisão minuciosa de benefícios), a inflação acabará por corroer o valor dos próprios programas sociais, prejudicando os mais pobres. Ao fim da entrevista o governador reiterou que o governo federal está preso a conceitos ultrapassados e adotou uma postura de forte resistência à redução da jornada de trabalho (fim da escala 6x1), utilizando esse tema para reforçar sua crítica à "visão de mundo" do atual presidente.

Como bem lembrou Luciano Martins, nas entrevistas dadas a narrativa do governador é elegante, crescimento consistente, ambiente de negócios estável e gestão responsável.

Mas qual é a realidade econômica do Estado de Mato Grosso do Sul? Alguns artigos que começaram a ser publicados a partir de agosto de 2025, vêm mostrando toda semana que o governador não está em condições de aconselhar ninguém, muito menos de criticar O correto seria um olhar profundo e crítico sobre a administração dele. O equilíbrio entre o fomento ao setor produtivo e o cumprimento das obrigações do Estado, estão postas. O senhor controla os gastos do seu governo? Em algum momento se preocupou com os mais pobres? O senhor já promoveu revisão minuciosa na milionária renuncia fiscal promovida pelo seu governo?

Governador, a elite brasileira e o Sr. repetem o comportamento de colocar obstáculos a direitos trabalhistas, tratando o tempo de descanso como um custo insuportável e alegando risco de ruína econômica, similar ao discurso escravocrata do século XIX. Toda vez que se discutia e discute a melhoria das condições de trabalho no Brasil, a elite econômica reagia, e continua reagindo com o mesmo pavor de 1888.

Foram por essas e outras questões que as relações entre o governador e a Casa de Leis parece que estão mudando. "O clima de harmonia entre a Assembleia Legislativa e o Governo do Estado, que durou mais de três anos com raras oposições, sofreu um abalo na última terça-feira. Em um duro pronunciamento, o deputado Pedro Kemp denunciou sérias irregularidades financeiras na gestão estadual. Segundo o parlamentar, o governo está retendo dinheiro dos servidores públicos: os valores dos empréstimos consignados e das contribuições sindicais são descontados diretamente nos salários, mas o Estado não estaria repassando esses montantes aos bancos e aos sindicatos, (o que pode gerar juros e nomes sujos para os servidores). Além disso, a denúncia aponta que a crise financeira atingiu a Saúde, com atrasos nos repasses para hospitais estaduais e para a Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (CASSEMS), colocando em risco o atendimento à população. 4. O deputado João Henrique Catan, não deixou por menos, afirmou ter recebido relatos de servidores e classificou a situação como “apropriação indevida” por parte do governo estadual.5

A deputada Gleice Jane, na ocasião e na mesma direção, fez uma pergunta central no debate da Assembleia Legislativa (ALEMS): O Estado está falido? 5. O questionamento da deputada expõe uma contradição perigosa entre o "Estado Rico" da propaganda e o "Estado Inadimplente" da vida real. Deputada, o problema do Estado de Mato Grosso do Sul é gestão. A prioridade do governo é clara: concede R$ 11,95 bilhões em benefícios fiscais a grandes grupos econômicos, mas falha em repassar o que é de direito dos servidores.

Espera-se que, diante da gravidade dos fatos, a Assembleia Legislativa passe a exercer com rigor o seu papel constitucional de fiscalizar às ações do Executivo, garantindo a transparência e a correta aplicação do dinheiro público.

Enquanto o governo comemora o crescimento do PIB e dá isenções bilionárias para grandes indústrias de celulose e o agronegócio, o serviço básico está falhando. A pergunta para a sociedade é: "Se o Estado está tão rico, como sustenta o governador em suas entrevistas, por que falta recursos para os hospitais e para a Cassems? Quando o Estado atrasa repasses para a saúde, o prejuízo é imediato, cirurgias são canceladas, há falta de insumos e filas maiores. A sociedade precisa ser alertada de que esse modelo de gestão que retém pagamentos pode se estender rapidamente para outros setores. Aqueles conhecidos, Educação e Segurança Pública. Até porque o governador não vai cortar absolutamente nada dos endinheirados do Estado, via Renúncia Fiscal, pelo contrário.


*** É professor titular aposentado da UFMS


3. MARTINS, Luciano. A Imagem fiscal do Pantanal. jornal VOXMS: notícias e verdade. Campo Grande:27/02/2026.

4. KEMP, Pedro. Pronunciamento da Tribuna da Assembleia Legislativa, Campo Grande: MS: Terça Feira, 03/03/ 2026.

5. CATAN, João Henrique. Pronunciamento da Tribuna da Assembleia Legislativa, Campo Grande MS: Terça Feira, 03/03/2026.

6. BARBOSA, Gleice Jane. Pronunciamento da Tribuna da Assembleia Legislativa, Campo Grande MS: Terça Feira, 03/03/2026.

 
 
 

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