Microconto - Laura e Rubens, por Athayde Nery
- Alex Fraga

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Quinta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de microconto com o advogado, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Athayde Nery, com Laura e Rubens.
Laura e Rubens
No ano de 1977, o Estado de Mato Grosso estava sendo dividido e sendo criado o Estado de Mato Grosso do Sul, pela canetada do então Presidente militar Ernesto Geisel, quarto presidente na linha sucessória desde o golpe de março de 1964. O mês era outubro, dia 11. Uma data histórica.
Naquele mesmo ano, Rubens chegava de São Paulo na cidade de Campo Grande, tornada então, a Capital do novo Estado. Ele já vinha como engenheiro formado cheio de sonhos.
Lá de Santa Catarina vinha Laura. Seu nome era em homenagem a Laura Vicunã. Loira, bonita, atraente e inteligente. Formada em Direito, também cheia de sonhos. Os dois com vinte e cinco anos se arriscando pelo mundo.
Se encontraram numa festa de engenheiros, que ela tinha ido com uma amiga sua. Lá se conheceram. Laura e Rubens, Rubens e Laura. Já se juntaram. Ela já está num escritório de advocacia, ele num escritório de Engenharia. Duas áreas diametralmente antagônicas. Água e vinho, vinho e água. Por isso se davam tão bem, diziam os amigos.
Eram festeiros. Gostavam de uma boa noitada de conversa boa. Ela se dizia de esquerda e contra os militares. Ele se dizia revolucionário de buteco e não estava nem aí com o sistema. Mas, é assim caro leitor ou leitora, como diria o francês Blaise Pascal “O coração tem razões que a própria razão desconhece”. É verdade que todos precisamos encontrar nossa cara metade, nosso travesseiro, nosso cobertor no inverno, ou refresco para o calor.
Vida que segue movimentos pela democratização se tornam cada vez mais intensos. Movimentos nas universidades, na sociedade civil organizada e nos sindicatos. O Brasil entra em ebulição pela redemocratização. Diretas já. Laura envolvida até a medula. Rubens olha meio assustado mas, acompanha.
Laura tem uma reunião em São Paulo, com o movimento político clandestino. Rubens não pode acompanhá-la pois precisava cuidar de Mônica, a filhinha do casal. Laura não volta de São Paulo. Nunca mais deu notícias. Nunca encontraram seu corpo ou seu paradeiro.
Até hoje, Rubens espera e procura por ela.





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