Microconto - Filomena, por Athayde Nery
- Alex Fraga

- há 33 minutos
- 2 min de leitura

Quinta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de microconto com o advogado, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Athayde Nery, com "Fiolomena".
FILOMENA
Filomena da Silva, nasceu prematura de seis meses. Parecia um ratinho. Mas acabou
vingando. Pele morena da mistura da sua mãe Genilza negra e avantajada, com lábios
grossos cintura fina, olhos de café e o seu pai moreno, seu Ambrozino. Estatura mediana, fala forte, braços magros e nariz avantajado. Filomena não criou esbeltez. Puxou o nariz grande do pai. Chamavam-na de turca. Ficou no meio termo. Magrinha foi se encorpando já com vinte anos. Formou em Assistência Social. Não era muito de ajudar as pessoas não. Queria passar num concurso. Seu pai era pasteleiro nas várias feiras da cidade. Ela não gostava de fritar pastéis. O pai e a mãe eram feras na arte. Pastel bom e barato. Pouca gordura. recheio justo. Muitos fregueses. Filomena os acompanhava no caixa. Veio a Pandemia da Covid. Pai e mãe morrem quase simultaneamente. Eram negacionistas. Ficou Filomena só com a herança dos pastéis. Era o que vendia e fazia renda. Sabia fazer a massa, o recheio e fritar. Se entregou no ofício. Contratou ajudantes mas, era rigorosa e fazia tudo. Do recheio à fritura. Um ano, dois anos. Labuta dura e pesada. Seu rosto foi modificado com a quentura da panela. Apesar do avental e pano na cabeça. Pastéis vendiam aos montes. E ela é dedicada e disciplinada. Que namorado que nada. Mas a cara estava modificando. Pessoal começou a achar esquisito. Ela também. Resolveu monitorar vendas de casa. Fazia a massa, recheio e mandava pras feiras. E o rosto modificando. Ela nem olhava mais. Um dia depois das prestações de conta favorecendo seu negócio, foi comemorar consigo mesmo se olhando no espelho. Levou um susto. Seu rosto virou um pastel de carne com queijo escorrendo suor como se fosse gordura





Comentários