Festival - Chamamé resiste enquanto a cultura regional ainda busca espaço


O chamamé atravessou fronteiras, gerações e mudanças de comportamento sem perder sua identidade. Em Mato Grosso do Sul, tornou-se parte de uma cultura construída no contato permanente com Paraguai e Argentina. Mas manter essa tradição viva exige mais do que festivais: exige reconhecimento, espaço e políticas culturais que compreendam o valor da produção regional.
É nesse cenário que Campo Grande recebe, de 17 a 20, o 8º Festival Cultural do Chamamé, reunindo artistas brasileiros, argentinos e paraguaios. A programação inclui música, dança, folclore, gastronomia e artesanato, ocupando diferentes espaços da cidade. A iniciativa ganha importância justamente porque manifestações culturais ligadas à identidade sul-mato-grossense nem sempre encontram o mesmo espaço destinado ao entretenimento de grande porte. O debate sobre política cultural no Estado passa, inevitavelmente, pela necessidade de equilibrar grandes eventos com o fortalecimento de artistas, grupos e tradições que fazem parte da história local.
O festival, nesse sentido, não deveria ser visto apenas como uma agenda de shows. É uma oportunidade de colocar em evidência uma cultura que nasceu do encontro entre povos e que continua presente nas comunidades, nos bailes, nas festas populares e na produção artística de Mato Grosso do Sul.
PROGRAMAÇÃO - A programação começa nesta quinta-feira (17), às 19h, no Centro Cultural José Otávio Guizzo, com entrada solidária mediante a doação de 1 quilo de alimento não perecível. Entre as atrações estão a dupla argentina Enzo e Bianca Alarcon, Marcelo Loureiro, o Ballet Folclórico da Municipalidad de Capiatá, do Paraguai, o harpista César D’Apollo, Verônica Benitez, Nicolás Gaona e Miriam Beatriz.
Na sexta-feira (18), a Colônia Paraguaia recebe artistas dos três países, das 19h à 1h30. O Grupo Surungo Bueno, de Dourados, participa da programação e encerra a noite com o Baile Pantaneiro, No sábado (19), Dia Estadual do Chamamé, a programação começa ao meio-dia com a Feira Gastronômica e de Artesanato. Às 15h, ocorre o Concurso de Dança Chamamé, coordenado pelos professores Michele Veruska e Fernando Quadros. As apresentações musicais continuam durante a tarde e a noite.
O festival termina no domingo (20), com a tradicional Enchamigada Chamamezeira, a partir das 10h. Além da música, haverá gastronomia típica, artesanato e almoço com comida de comitiva. A questão que permanece é maior do que os quatro dias de programação: como garantir que a cultura regional tenha espaço permanente e não seja lembrada apenas quando chega a temporada dos festivais?
Valorizar o chamamé significa também reconhecer músicos, dançarinos, artesãos, produtores culturais e grupos que mantêm essas tradições durante todo o ano. A preservação cultural não se faz somente no palco. Ela depende de formação, circulação, memória, público e, principalmente, continuidade. Em Mato Grosso do Sul, onde a fronteira é parte essencial da formação cultural, preservar essas manifestações significa preservar também uma parte da própria história do Estado.





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