Exposição - Fernando Castilho mostra sua arte visual a partir desta quarta
- Alex Fraga

- há 6 dias
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***Thais Pompêu*** - - - -
Em sua primeira exposição, Fernando Castilho parte do universo da violência contra mulher para provocar reflexão sobre as violências visíveis e invisíveis que atravessam todos nós. A mostra acontece na Galeria de Vidro com abertura dia 15 de abril. “A violência nossa de cada dia”, primeira exposição do arquiteto Fernando Castilho como artista visual, rompe com a lógica do prazer contemplativo. Com linguagem acessível e formas descomplicadas, o artista concentra-se no essencial: denunciar sistemas de violência, explícitos e implícitos na sociedade, em um conjunto de vinte obras em acrílica sobre papel.
A indignação diante da violência de gênero, do machismo estrutural e da misoginia foi o ponto de partida para FerCastilho criar composições visualmente impactantes, marcadas por cores intensas, gestos rápidos e texturas densas. Ponto de partida porque, ao se misturar com o tema, o artista mergulha e expande as possibilidades de fruição da obra, propondo uma reflexão sobre os movimentos e as marcas da violência — visíveis e invisíveis — que atravessam o cotidiano não apenas ao que diz respeito a gênero, mas que perpassam a vida de todos nós.
“Não se trata apenas da violência explicita, mas daquela que se infiltra nas palavras, nos gestos e nos silêncios. Uma violência difusa, naturalizada, que habita nossas relações profissionais, familiares e sociais – muitas vezes sem que reconheçamos como tal”, explica Fernando. As obras buscam tensionar esse campo invisível, convocando o espectador a um deslocamento: do olhar que observa para o olhar que se reconhece
implicado. Que violências carregamos? Em que medida participamos dela? E, sobretudo, como interrompê-la? Mais do que denunciar, a exposição propõe um gesto de consciência – um convite a romper com a repetição silenciosa da crueldade e a imaginar outras formas de estar no mundo.
Sobre o artista: Fernando Castilho se formou em arquitetura e urbanismo no Rio de Janeiro em 1980, tendo sido aluno das artistas plásticas e carnavalescas Rosa Magalhães e Maria Augusta Rodrigues. Deu aula no curso de arquitetura por mais de três décadas, foi coautor da revitalização Morada dos Baís e Anexo (1993) e integrou a equipe que elaborou o Plano Local das Zonas de Interesse Cultural do Centro - ZEICs Centro - em Campo Grande. Participou da II Bienal de Arquitetura de São Paulo (1993) com o trabalho Fragmentos Neobarroco e da Exposição Alterações Climáticas: a paz e os seres vivos, em Campo Grande (2024). “A violência nossa de cada dia” marca sua estreia como artista visual.
*** É jornalista
Serviço: Vernissage: 15 de abril, quarta-feira, às 19h.
De 15 de abril a 4 de maio, segunda à sexta-feira das 7h30 às 20h; sábado das 7h30 às 12h, gratuito. A Galeria de Vidro está localizada na Avenida Calógeras, 3015, dentro da
Plataforma Cultural





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