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Critica - Festival aposta no entretenimento, mas se afasta da alma do jazz e do blues !

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 9 horas
  • 3 min de leitura

Banda Paraguaia Delta Creem fez o melhor do 13º Bonito Blues Jazz in Rio Verde com trabalho autoral perfeito !


*** Alex Fraga*** - - - -


O 13º Bonito Blues Jazz in Rio Verde terminou deixando uma reflexão importante sobre o verdadeiro papel de um festival de blues e jazz. Antes de tudo, eventos desse segmento deveriam valorizar a improvisação, liberdade sonora, identidade musical e, principalmente, trabalhos autorais. Covers até podem existir, mas quase sempre com releituras criativas, personalidade e novas interpretações. Infelizmente, em boa parte da programação deste ano, isso ficou devendo.

Não se discute aqui a qualidade técnica dos músicos que participaram do festival. Pelo contrário: muitos demonstraram competência e profissionalismo no palco. O problema esteve em um erro recorrente de alguns grupos — a escolha de repertórios excessivamente apoiados em covers de músicas conhecidas de bandas nacionais e internacionais, muitas vezes executadas sem qualquer releitura ou proposta artística diferenciada. Em vários momentos, parecia mais um show de bar do que um festival voltado à essência do blues e do jazz.

Ainda assim, houve exceções importantes. E talvez a maior delas tenha sido a banda paraguaia Delta Cream, de Asunción. Com um repertório majoritariamente autoral, ela entregou aquilo que se espera de um verdadeiro festival do gênero: personalidade, identidade e presença artística. A vocalista Lidi Ramíres, com uma voz potente que em alguns momentos lembrava a eterna Janis Joplin, comandou uma apresentação impecável. O guitarrista Allan Bejarano foi preciso e com solos intrigantes, o baterista Guido Faggiani - excepcional e extremamente técnico, o tecladista Daniel Páez manteve a dinâmica elevada e o baixista Enrique Codas sustentou toda a estrutura sonora com firmeza. A Delta Cream realizou, sem exageros, o melhor show do festival — sonoridade refinada, profissionalismo, presença de palco e autenticidade. Merece espaço em grandes eventos brasileiros.

No primeiro dia, Trio Blueasy e a Cabeça de Bagre também fizeram apresentações interessantes. No entanto, ambas acabaram caindo no mesmo problema: o excesso de covers. E isso chama ainda mais atenção porque justamente quando tocaram algumas autorais, foram os melhores momentos dos shows. Fica a sensação de que falta acreditar mais na própria capacidade criativa. As bandas têm qualidade musical suficiente para sustentar repertórios próprios sem depender de sucessos conhecidos para conquistar o público.

No dia do encerramento, a campo-grandense Barganha’s Band fez uma bela apresentação, mantendo viva a lembrança do grande Renato Fernandes e mostrando que não deve nada a muitas bandas do cenário nacional. Os caras sabem tudo sim, mas necessário levar mais o trabalho autoral. Vale ressaltar também a participação do grande músico paraguaio Dominique Bernal, que já é um patrimônio desse evento e que com suas canjas com as bandas, simplesmente arrasou como sempre. Um músico singular ! Único!

Já o show final, da banda mineira Harley Queen, evidenciou novamente a principal contradição do festival. Tecnicamente, os músicos são excelentes. Isso é indiscutível. Porém, apostar em sucessos consagrados de bandas internacionais, abrindo inclusive a música TNT da banda australiana AC/DC, acabou descaracterizando a proposta do evento. Se a intenção é ouvir covers tradicionais sem releitura, qualquer bar com música ao vivo pode oferecer isso. Um festival de blues e jazz deveria ir além do óbvio.

O mais curioso é perceber que Mato Grosso do Sul tem inúmeras bandas capazes de entregar apresentações semelhantes — talvez até superiores — sem precisar recorrer ao apelo fácil dos grandes clássicos internacionais. Falta muitas vezes, coragem para apostar no autoral e fidelidade à essência do próprio festival.

No fim, o 13º Bonito Blues Jazz in Rio Verde mostrou bons músicos, ótimas intenções e momentos brilhantes, mas também reforçou um problema cada vez mais comum em eventos culturais: o medo de arriscar artisticamente em nome de agradar o público. E, ironicamente, quando os artistas apostaram em suas próprias identidades musicais, foi justamente quando o festival mais brilhou...



 
 
 

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Caracas.. bela crítica. Uma pena que esse festival perdeu toda essência. Fui umas cinco vezes em Bonito.

Luciana Mendes

Campo Grande MS

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há 7 horas
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Isso sim que é jornalista imparcial. Parabéns pela crítica. Alex Fraga é sem dúvida uma referência no Brasil de como se escreve uma crítica coesa. Fera demais.

Poliana Castro

Londrina PR

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Convidado:
há 8 horas
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Estive lá. Foi tudo isso. Parabéns jornalista Alex Fraga. Impecável texto e até muito educado. Por isso considero um dos grandes do jornalismo brasileiro. Ainda bem que você é sul-mato-grossense eheheh.


Carlos Eduardo Costa

Campo Grande MS

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Altieres Botini
há 9 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

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