Artista - Tetê recebe título de Doutora Honoris Causa nesta quinta na UFMS
- Alex Fraga

- há 10 horas
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Nesta quinta-feira (2), uma noite especial para homenageará a cantora, instrumentista e compositora sul-mato-grossense Tetê Espíndola. O evento faz parte da comemoração aos 47 anos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Ela receberá o título de Doutora Honoris Causa, pela instituição de ensino, às 19 horas no Teatro Glauce Rocha e será transmitido ao vivo pelo canal da TV UFMS.
TETÊ ESPÍNDOLA -
Infância, formação e primeiras experiências musicais (1954–1970) - Teresa Diva Espíndola, conhecida artisticamente como Tetê Espíndola , nasceu em Campo Grande, então parte do estado unificado de Mato Grosso, em 11 de março de 1954. Desde cedo integrou um ambiente familiar profundamente musical, convivendo com os irmãos Geraldo, Jerry e Alzira E, todos futuros artistas de destaque na cena sul-mato-grossense e nacional. A infância foi marcada por rodas musicais, cantorias domésticas, experiências com violões, instrumentos tradicionais e inventividade sonora. Aos 14 anos, Tetê obteve seu primeiro grande reconhecimento ao participar de um festival estudantil em Campo Grande com a canção “Sorriso” (1968), composta por seu irmão Geraldo Espíndola. Essa participação marcou o início de sua projeção regional e consolidou as bases de uma linguagem vocal singular, caracterizada por grande amplitude de tessitura, experimentalismo tímbrico e forte vínculo com paisagens e sonoridades da natureza pantaneira.
A vanguarda paulista e o início da carreira profissional (1970–1985) - Nos anos 1970, Tetê aproximou-se de ambientes artísticos ligados ao meio universitário e aos movimentos culturais de Campo Grande. Nesse período, ingressou no curso de Pedagogia da UEMT (Universidade Estadual de Mato Grosso), instituição que posteriormente se tornaria a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) com a federalização de 1979. Embora não tenha concluído o curso, a vivência no espaço acadêmico — festivais universitários, eventos de arte, saraus e encontros estudantis — foi decisiva para sua formação estética, ampliando seu contato com jovens poetas, músicos e agitadores culturais locais. Em 1977–78, Tetê mudou-se para São Paulo, integrando-se ao ambiente inovador da Vanguarda Paulista, ao lado de Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e dezenas de artistas que renovavam profundamente a música popular brasileira. Em 1978, lançou o álbum Tetê e o Lírio Selvagem (Philips), que já anunciava sua busca por timbres híbridos, canto expandido e poesia experimental. Em 1980, lançou Piraretã (Philips), disco que consolidou sua identidade autoral e rendeu sua primeira colaboração com Arrigo Barnabé. Em seguida, participou do festival MPB Shell (1981) interpretando a valsa “Londrina”, de Barnabé, cuja apresentação marcou sua inserção nacional. Em 1982, lançou Pássaros na Garganta, considerado um dos álbuns mais inovadores da música brasileira contemporânea. Nesse disco, Tetê explora sons ambientais, canto expandido, colagens vocais e referências ao Pantanal. A obra recebeu aclamação crítica e situou a artista como uma das vozes experimentais mais originais do país.

Consagração nacional: Em 1985, Tetê alcançou projeção nacional ao interpretar “Escrito nas Estrelas” (Carlos Rennó/ Arnaldo Black) no Festival dos Festivais, da Rede Globo, tornando-se amplamente reconhecida por sua performance marcada por forte expressividade e por seu emblemático agudo cristalino. A canção, posteriormente lançada em compacto e LP, tornou-se um clássico da música brasileira e permanece uma das interpretações mais icônicas de sua carreira.
Expansão, maturidade e internacionalização (1986–2000) - Após sua consagração, Tetê prosseguiu reinventando-se ao longo de diversos discos. Em Gaiola (1986), obra que mescla elementos da música pop com experimentação vocal, aproximou-se de parcerias marcantes, como o dueto com Ney Matogrosso em “Na Chapada”. Em 1991, lançou Ouvir, álbum resultante de uma viagem de pesquisa à Amazônia e ao Pantanal em busca do canto do uirapuru e de outras paisagens sonoras. O disco combina linhas vocais delicadas com gravações naturais. Na década de 1990, publicou ainda Só Tetê (1994) e Canção do Amor (1995), trabalhos mais melódicos e voltados à interpretação. Em 1998, lançou, ao lado de Alzira E, o álbum Anahí, dedicado à recriação do repertório sertanejo, fronteiriço e latino-americano. Tetê consolidou-se nessa fase como artista de referência na Europa, especialmente na França, onde iniciou colaboração com o compositor Philippe Kadosch, ampliando sua inserção internacional no campo da música contemporânea e da performance vocal.
Tetê experimentadora: música, voz, natureza e tecnologia (2000–2020) - Nos anos 2000, Tetê intensificou sua produção experimental. Em VozVoixVoice (2001), gravado em Paris, a artista recria sonoridades instrumentais apenas com a voz, resultando em uma obra vocal singular. Em Zencinema (2005), investe em paisagens poéticas e sonoras ao lado do poeta e parceiro Arnaldo Black. Em E Va Por Ar (2007), aprofunda pesquisa sobre canto em movimento e espacialidade vocal. Em 2008, lança Babeleyes – Musique des Langues Vierges, trabalho franco-brasileiro de “línguas virgens” e invenção fonética. Em 2014, publica pelo Selo Sesc o álbum duplo Pássaros na Garganta & Asas do Etéreo, celebrando mais de 30 anos do disco icônico e apresentando composições inéditas com artistas como Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Jaques Morelenbaum e Arrigo Barnabé. Em 2017, lança Outro Lugar, obra que revisita “lugares afetivos” de sua trajetória. Em 2019, publica Recuerdos, em parceria com Alzira E e com participação especial de Ney Matogrosso, reinterpretando clássicos da música regional fronteiriça. 6. Especiais, coletâneas e comemorações recentes (2020–2025) Em 2018, participou do concerto comemorativo do centenário de Dalva de Oliveira, com a Orquestra Jazz Sinfônica. Em 2020, colaborou com Iara Rennó no projeto AfrodisíacA. Em 2022, participou do manifesto musical “Demarcação Já – Remixtape”, ao lado de grandes nomes da música brasileira. Em 2024–2025, celebrou seus 70 anos como solista da Orquestra Sinfônica de Piracicaba, registro que originou o álbum Tetê 70 – Ao Vivo (2025), reafirmando a amplitude estética de sua trajetória.

Outros trabalhos e obras - - Escrito nas Estrelas – interpretação consagrada no Festival dos Festivais (1985)- Londrina – interpretação no MPB Shell (1981).- Vida Cigana – regravada em Canção do Amor (1995).- Águas de Março – participação no álbum Estação Brasil, de Zé Ramalho (2003).- Anahí – título do álbum de 1998 com Alzira E.- Demarcação Já – participação no manifesto musical indígena (2022). Composições autorais destacadas:- Pássaros na Garganta – composição simbólica da fase experimental.- Piraretã – parceria representativa da estética pantaneira pós-1980.- Asas do Etéreo – composição madura da fase Sesc (2014).- Outro Lugar – parceria com Arnaldo Black, faixa que dá nome ao disco de 2017.
Relação de Tetê Espíndola com a UEMT/UFMS - A relação de Tetê com a UEMT — e posteriormente com a UFMS — é parte importante de sua formação. Além da entrada no curso de Pedagogia, a artista teve presença marcante nos festivais universitários, apresentações culturais no campus e encontros artísticos que, nos anos 1970, contribuíram para o surgimento do movimento musical sul-mato-grossense. A UFMS funciona como centro irradiador de cultura na região, reunindo músicos, compositores e poetas que moldaram e moldam a cena local. Tetê, embora não tenha concluído sua formação pedagógica, encontrou nesse ambiente acadêmico estímulo para sua construção estética precoce, fortalecendo sua sensibilidade ecológica, poética e musical.





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