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Artigo - Reinaldo Azambuja e sua nova aventura, por Paulo Marcos Esselin

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 7 de out.
  • 5 min de leitura
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Terça-feira no Blog do Alex Fraga um artigo de Paulo Marcos Esselin, professor titular aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com Reinaldo Azambuja e sua nova aventura.


Reinaldo Azambuja e sua nova aventura

Por Paulo Marcos Esselin ***


Reinaldo Azambuja, em meio a muitos festejos e com a presença de grandes nomes da política nacional, deixou o seu partido, o PSDB, de centro-esquerda, depois de trinta anos de militância, para se filiar ao Partido Liberal (PL) de extrema-direita. Sem meias palavras, o reciclado Reinaldo enviou uma mensagem a Bolsonaro: “Eu vou ser leal e fiel até o último dia pra resgatar a dignidade e a honradez do presidente Bolsonaro.” E disse mais: “Essa condenação que pesa sobre Bolsonaro é política. Cada um de nós deve ter consciência disso.” Na largada já demonstrou a que veio, reprovando veementemente a justiça brasileira e se colocando como vassalo do ex – presidente.

Valdemar Costa Neto, o Presidente do Partido Liberal PL), que também participou do convescote, na ocasião, assegurou publicamente que “Azambuja terá autonomia para montar a chapa e fazer o que quiser na legenda”. Todos os quadros que desejarem se candidatar a qualquer cargo eletivo, estarão sujeitos à boa vontade do ex – governador e candidato ao Senado.

Os bolsonaristas -raiz, o deputado estadual João Henrique Catan e o deputado federal Marcos Pollon, que já se mostraram contrários à chegada do ex – governador, que ponham as barbas de molho pois poderão ficar sem legenda para disputar as próximas eleições; ou terão que mudar de partido.

Acompanharam o ex – governador 19 prefeitos, que se filiaram ao partido, consolidando o PL como principal força política em Mato Grosso do Sul, desidratando completamente o PSDB, o que vai de certa forma obrigar os deputados federais, estaduais e vereadores, eleitos por essa legenda, a seguir o mesmo curso dos seus líderes, ou se filiar a partidos de centro-esquerda, ou ainda, tapar o nariz e ir para qualquer partido, desde que lhes seja asseguradas as chances reais de vitória.

Os Partidos Progressista e Liberal, o primeiro comandado pela senadora Teresa Cristina e o segundo daqui em diante por Reinaldo Azambuja, vão se juntar em 2026, para se tornarem a maior força eleitoral do Estado. A meta, segundo o senador Rogério Marinho, será reeleger o atual governador, Eduardo Riedel, dois senadores, oito deputados federais, e ainda conseguir a maioria expressiva das cadeiras na Assembleia Legislativa Estadual. Esse olhar otimista me fez lembrar da ALIANÇA RENOVADORA NACIONAL (ARENA), partido de sustentação do regime militar, que controlava todas as prefeituras do Estado, sem exceção, até o ano de 1982, quando o sonho foi desfeito (“tudo o que era sólido desmanchou – se no ar”), com a vitória avassaladora do MDB, desde vereadores até o governador. Naquele ano, as eleições eram casadas elegeram governador, senador (uma vaga), deputado federal, deputado estadual, além de prefeito e vereador. Estavam proibidas coligações, o voto era vinculado, ou seja, o eleitor estava obrigado a votar em candidatos de um mesmo partido político sob pena da nulidade do voto. Casuísmos para beneficiar o partido de sustentação da ditadura militar.

O ex – governador Reinaldo alegou que a troca reflete a busca por unidade em torno de uma frente conservadora e que, hoje, para ele o PL “é o partido que melhor representa nossos valores e o caminho para fortalecer Mato Grosso do Sul e o Brasil”. E disse mais: “Venho para somar e contribuir com esse projeto”.

Nessa troca de partido, Reinaldo abre mão daquelas pautas, antes defendidas por ele e pela militância pessedebista e caras aos tucanos, sobretudo políticas públicas de combate à pobreza e às desigualdades; melhores serviços sociais básicos com acesso universal a todos, inclusive à saúde; fortalecimento das instituições; reforma agrária (que durante o mandato de FHC, distribuiu terra e assentou mais de 500 mil famílias); reconhecimento da diversidade e das particularidades das culturas indígenas e demarcação de suas terras; flexibilização dos monopólios.

A partir de agora o que ocorrerá é a completa inversão das pautas, pois o abraço no bolsonarismo significa a busca de blindagem legal que é a proteção aos legisladores para cometerem atos criminosos e/ou também se livrarem daqueles cometidos no passado, passando incólumes aos olhos da Justiça, mesmo quando se contrapuserem à DEMOCRACIA. Terão proteção ao reverenciar as bandeiras americana e israelense e ao aliarem – se, sem pudor, aos novos companheiros, (“PATRIOTAS”), pedindo a intervenção armada dos EUA no Brasil. Estarão ao lado do “traidor” Eduardo Bolsonaro, para comemorarem juntos as retaliações econômicas impostas pelo presidente americano Trump ao nosso Brasil que também é deles. E tudo, obviamente, em nome de “Deus, Pátria, Família”.

É bom lembrar que Reinaldo, ao deixar o PSDB, troca a companhia de brasileiros como Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Aloysio Nunes Ferreira, Luís Carlos Bresser Pereira, Fábio Feldman, seus ex – partidários que estiveram na linha de frente da resistência à ditadura civil militar fascista, (1964 – 1985 ) pelas de Jair Bolsonaro, Sóstenes Cavalcanti, Eduardo Bolsonaro, Magno Pereira Malta, Marcelo Bezerra Crivella, Carla Zambelli Salgado de Oliveira e outros, escandalosamente defensores da ruptura democrática e da instalação de uma outra ditadura, ( o que , recentemente quase conseguiram). E sempre dispostos a “passar pano” nos atos dos militares golpistas.

O que ocorreu no dia 21/09 nos luxuosos salões do Ondara Buffet, em Campo Grande, foi uma reunião grotesca com aplausos dos e para os herdeiros de Jair Bolsonaro, os mesmos que teimam em continuar a sua perversa obra de desconstrução da Democracia seja pela falta de compromissos com nosso país, seja pelos discursos de total desrespeito à Justiça, um dos pilares do Estado democrático e de direito, seja pela incompreensível empatia por Eduardo Bolsonaro, esse malévolo deputado que se orgulha em dizer que a imposição da tarifa de 50% pelos Estados Unidos, que resultou na injusta e exacerbada taxação dos produtos brasileiros, foi resultado direto de sua atuação !Hão de convir que o ex-presidente e seu séquito, quando estavam no poder, semearam muito ódio e adotaram uma política econômica que ampliou a desigualdade e promoveu o desemprego.

Assim, posso afirmar, sem medo de cometer erros ou injustiças, que nunca se presenciou tamanha incoerência e subserviência no ato do dia 21/9/2025, nos salões do Ondara. E que os que ali estavam, mostraram o que realmente são: desprovidos de um projeto nacional, desejam apenas ganhar poder e fundo eleitoral para os seus projetos pessoais e eleger os seus iguais que defendem um sistema dominado por castas, no nosso caso o agronegócio, o que impede qualquer mobilidade social.

Mas, estou certo de que o povo brasileiro, o verdadeiro, aquele que traz consigo o forte desejo de construir uma sociedade livre e justa, cuja base é a Democracia, será o grande vitorioso.

 
 
 

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👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾😎

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E o eleitor sul-matogrossense terá um truste fim como Policarpo Quaresma. A ficção de Lima Barreto já mostrou isso.

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