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Artigo - O Rio Pardo não pode pagar a conta do falso progresso, por Paulo M. Esselin

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de artigo com o professor titular aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Paulo M. Esselin, com O Rio Pardo não pode pagar a conta do falto progresso.


O Rio Pardo não pode pagar a conta do falso progresso

***Paulo M. Esselin



O caso do Rio Pardo que banha a região leste do Estado expõe, mais uma vez, a contradição entre o discurso ambiental do Governo de Mato Grosso do Sul e a realidade vivida pela população. Enquanto autoridades aparecem em eventos falando em sustentabilidade, um dos rios mais importantes do Estado sofre com sinais graves de poluição, denunciados desde o ano passado por vereadores de Ribas do Rio Pardo.

A reportagem de Neri Kaspary, do Jornal Correio do Estado, mostra que o relatório do Imasul — Instituto de Meio Ambiente de MS — relaciona a proliferação de plantas aquáticas no lago da Usina de Mimoso ao excesso de fósforo nas águas. O dado mais grave é que, antes do ponto de lançamento dos rejeitos de uma fábrica de celulose, os índices desse elemento químico eram muito menores; rio abaixo, após o descarte, aumentaram de forma expressiva. Não é preciso complicado vocabulário técnico para entender o óbvio: há algo profundamente errado acontecendo no rio.

O problema não é apenas ambiental. É político. Quando uma grande empresa despeja milhões de litros de rejeitos não tratados por dia em um rio e a resposta do poder público demora quase um ano para chegar aos vereadores, o que se vê é abandono e desrespeito a Câmara Municipal. O Governo que deveria fiscalizar com rigor parece mais preocupado em proteger a imagem do chamado desenvolvimento do que em proteger a água, a fauna, a flora e as comunidades afetadas.

Esse é o retrato do modelo que vem sendo imposto a Mato Grosso do Sul: grandes empresas chegam com promessas de emprego, riqueza e modernidade, recebem apoio, incentivos e propaganda oficial, mas deixam para a população os impactos mais duros. O lucro fica concentrado; os prejuízos ficam no território. Quem vive

perto do rio, quem depende da pesca, do turismo, da terra e da água é que sente primeiro a degradação.

A situação é ainda mais grave porque o Rio Pardo não é apenas um detalhe no mapa, mas também parte da vida econômica, ambiental e social da região. Quando suas águas são comprometidas, também são atingidos os peixes, as plantas, os animais, os pequenos produtores, os moradores e toda uma cadeia de vida que não aparece nos discursos oficiais. Convém lembrar, que essa atividade utiliza volumes expressivos de herbicidas e formicidas, que também contribuem para contaminar o solo e os cursos d’agua.

O governador Eduardo Riedel precisa explicar de que lado está. Do lado da população que cobra providências ou do lado das grandes empresas que se apresentam como símbolo de progresso enquanto deixam rastros de degradação? Não basta dizer que defende o meio ambiente. É preciso agir, fiscalizar, punir quando houver irregularidade e exigir reparação.

Mato Grosso do Sul não pode aceitar um modelo de desenvolvimento que enriquece poucos enquanto adoece seus rios. Quando a preservação da natureza é tratada como entrave e as denúncias são recebidas com silêncio, não se está diante de progresso, mas de irresponsabilidade. O verdadeiro progresso é aquele que gera riqueza sem destruir a água, a terra e a vida que sustentam a população. O Rio Pardo pede socorro, e a omissão do governo fala mais alto do que qualquer discurso verde feito em palanque.


***Professor titular aposentado da UFMS


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