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Artigo - O falso desenvolvimento que abandona os mais pobres em MS, por Paulo M. Esselin

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    Alex Fraga
  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de artigo com o Professor Aposentado Titular, Paulo M. Esselin, com "O falso desenvolvimento que abandona dos mais pobres em Mato Grosso do Sul".


O falso desenvolvimento que abandona os mais pobres em Mato Grosso do Sul

***Paulo M. Esselin


O Governo de Mato Grosso do Sul insiste em vender à população a imagem de um Estado moderno, sólido e em pleno desenvolvimento. No entanto, por trás do discurso oficial, os números e a realidade cotidiana revelam a existência: de um modelo que favorece grandes grupos econômicos, reduz a capacidade de investimento público e empurra os mais pobres para uma vida cada vez mais difícil.

O orçamento público estadual foi de R$ 26,4 bilhões em 2025, passou para R$ 27,1 bilhões em 2026 e está projetado em R$ 27,99 bilhões para 2027. O crescimento ano vindouro é de apenas 2,94%, a menor taxa de avanço em uma década. Esse resultado é insuficiente diante das demandas acumuladas em Saúde, Educação, Infraestrutura, Segurança, Moradia e Assistência Social. Ao mesmo tempo, o endividamento do Estado aumentou sob a gestão de Eduardo Riedel, o que contradiz o discurso de solidez fiscal repetido pelo governo.

A principal incoerência está na política de renúncias fiscais, o ICMS. O Governo afirma que os incentivos concedidos ao agronegócio e às cadeias do eucalipto e a grandes empresas são investimentos necessários ao desenvolvimento. Mas, na prática, trata-se de dinheiro público que deixa de entrar nos cofres do Estado. Só em 2026, Mato Grosso do Sul deixará de arrecadar cerca de R$ 11,95 bilhões. Esses recursos poderiam financiar escolas, unidades de saúde, medicamentos, saneamento, transporte, segurança pública e infraestrutura urbana. No entanto, ele é utilizado na expansão e acumulação de capital, o orçamento é privatizado.

É preciso dizer com clareza: benefício fiscal sem transparência, sem avaliação e sem retorno comprovado à sociedade não é política de desenvolvimento; é privilégio. Quando o Estado desiste

de arrecadar bilhões, alguém paga essa conta. E quem paga são, principalmente, os municípios e a população mais pobres, que dependem diretamente dos serviços públicos.

A contradição também aparece no discurso municipalista. O ex-governador Reinaldo Azambuja e o atual, Eduardo Riedel, apresentam-se como defensores das prefeituras, mas sustentam uma política que diminui justamente os recursos municipais. Como 25% do ICMS arrecadado deve ser repassado aos municípios, cada renúncia fiscal reduz também a parcela destinada às 79 cidades de Mato Grosso do Sul. Na prática, as prefeituras ajudam a financiar os benefícios concedidos a setores específicos, sem participação real nessa decisão e sem garantias de retorno social.

O resultado concreto aparece todos os dias na vida da população. Falta medicamento. Faltam médicos. Faltam Centros de educação infantil. Faltam escolas estruturadas. Faltam políticas de moradia, transporte, saneamento e assistência social. Enquanto o Governo repete que os incentivos geram desenvolvimento, os mais pobres enfrentam filas, abandono e serviços públicos insuficientes. Essa é a mentira central do discurso oficial: prometer prosperidade enquanto a maioria sente a precarização bater à sua porta.

Nas cidades impactadas por megaempreendimentos, como Ribas do Rio Pardo e Inocência, a promessa de prosperidade tampouco se confirmou para todos. A chegada acelerada de trabalhadores e empresas pressionou aluguéis, moradia, saúde, educação, segurança e assistência social. O poder público não preparou esses municípios para receber tamanho impacto. O desenvolvimento chegou para os grandes negócios, mas a conta social ficou com a população local.

Também é necessário questionar a chamada diversificação econômica. O que se apresenta como modernização continua baseado em atividades concentradas, dependentes de grandes grupos econômicos e marcadas pela monocultura do eucalipto e

da soja. Esse modelo concentra renda, pressiona o meio ambiente e não resolve as necessidades básicas da população. Desenvolvimento de verdade não se mede apenas pelo PIB, mas pela melhoria da vida das pessoas.

Mato Grosso do Sul precisa escolher que futuro quer construir. Um Estado que renuncia a bilhões para poucos e deixa faltar o básico para muitos não pode se apresentar como exemplo de gestão. A prioridade deveria ser outra: garantir saúde, educação, infraestrutura, moradia, trabalho digno e qualidade de vida. Sem isso, o discurso de desenvolvimento não passa de propaganda.

É hora de romper com a lógica que transforma renúncia fiscal em dogma e pobreza em estatística invisível. O governo deve explicações à sociedade: quem recebe os benefícios, quanto recebe, por quanto tempo e qual retorno entrega ao povo sul-mato-grossense. Sem transparência e sem justiça social, não há desenvolvimento; há apenas privilégio financiado pelo dinheiro que falta na vida dos mais pobres.



***Prof. Titular aposentado da UFMS

 
 
 

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