• Alex Fraga

Artigo - Marta e Maria, P. Osmar Resende

O artigo deste domingo no Blog do Alex Fraga do P. Osmar Resende, sdb, da Paróquia Dom Bosco de Guarapuava (PR) intitulado: Marta e Maria.


MARTA E MARIA

Osmar Resende SDB


Jesus vai a Jerusalém por ocasião da Páscoa. Sua última viagem. Passa em Betânia, na casa de seus amigos Lázaro, Marta e Maria. Marta, como dona e senhora da casa acolhe Jesus. Logo Maria vem ao seu encontro, enquanto Marta se preocupa com os afazeres da casa, certamente preparando uma boa refeição.

Maria senta-se aos pés de Jesus. Sabemos que naquele tempo, na cultura judaica não havia cadeiras, mas assentos, almofadas que ficavam sobre o piso. Pois bem, a certo momento, Marta reclama que Maria não a ajuda. E Jesus diz calma e suavemente: “Marta, Marta... tu te inquietas e te agitas com muitas coisas... Uma só coisa é necessária... Maria, porém, escolheu a melhor parte”.

A atitude de Maria é uma atitude de escuta. Sentar-se aos pés do Mestre significa estar atenta, como discípula. Jesus, como sabemos, quebrou muitos paradigmas. De certa forma era inconcebível uma cena como essa. Uma mulher como discípula. Porém, Jesus tinha também suas discípulas que o acompanhavam (que poderiam tranquilamente ser chamadas de apóstolas), a exemplo de Maria Madalena (de Magdala).

Pois bem, Jesus elogia Maria, sem desprestigiar Marta. Assim, em nossa vida, precisamos ser Marta e Maria ao mesmo tempo. Ou seja, levar uma vida de contemplação e ação. Entre nós, religiosos, temos congregações onde predomina a contemplação, a oração e outras mais dedicadas à ação. Os contemplativos devem se preocupar também com o próximo, com os mais sofredores, os pobres, os humildes, no serviço, na doação. As congregações de vida ativa não podem deixar de lado, a oração, a meditação, a contemplação.

Santa Teresa de Calcutá, totalmente dedicada aos pobres, deixou como herança uma atividade intensa alicerçada na oração. Suas discípulas, ainda hoje, dedicam no mínimo uma hora de adoração, além das outras orações.

Mas é, sobretudo no coração, no interior da pessoa, que se estabelece esse diálogo com o Senhor. Dom Bosco é o retrato da união com Deus. Homem de atividade intensa, em seu processo de canonização, alguém questionou: “Quando é que Dom Bosco rezava?” Alguém retrucou: “Quando é que ele não rezava!”. Soube fazer uma síntese vital entre contemplação e ação.

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