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Microconto - Sandoval e Finança, por Athayde Nery

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

Quinta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de microconto com advogado, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Athayde Nery, com Sandoval e Finança


Sandoval e Finança


Conheci o Sandoval. Me disse que era Contador dos bons. Várias empresas e pessoas o procuravam. Era cuéra em finanças. Ajustava qualquer balancete. Arrumava despesas, dívidas, débitos, créditos, contas a esconder e a não pagar, impostos a serem sonegados, recebimentos, ativos e passivos, caixa alto e caixa baixo, dividendos, juros, correção monetária, restituições, maquiagem contábil, enfim tornava o complexo, simples. Assinava os balancetes. Cobrava caro pois o risco era alto. Até que num belo dia, a casa caiu. O fisco chegou firme. Formação de quadrilha. Tinha gente do PCC. Bens seus e dos clientes bloqueados. Multas altas. Carteira suspensa. Lá se foram as férias nas praias. Casa e chácara comprometidas. Escola dos filhos. Carros apreendidos. Casamento desfeito. Dividir o que sobrou. Sandoval num quarto de hotel. Pegou a mala, entrou num ônibus e sumiu. Foi parar em Campo Grande. Estava determinado a se desfazer daquele mundo humano das finanças. Queria viver sob sol e chuva e no que viesse. Comprou um carrinho de compras usado e saiu catando papelão, papel, lixos recicláveis, latinhas e similares. Não conhecia viva alma. Achou um cachorro e lhe deu o nome de “Finança”. Fez amigos de jornada. Conheceu o lixão. 01 ano e já conhecia a cidade decor e salteado. Andava que nem lobinho. Encontrei com ele barbudo, unhas grandes, roupa amarfanhada, um sorriso largo de felicidade com dentes bem brancos e olhos acesos. Estava sentado no sofá do Manoel de Barros, ali na Avenida Afonso Pena com a Rui Barbosa. Ele dividindo o almoço com o Finança.

 
 
 

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