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Texto poético - O que eu levo daqui, por Inorbel Maranhão Viégas

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 20 horas
  • 2 min de leitura

Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de texto poético com o jornalista, poeta e escritor de Brasília (DF), Inorbel Maranhão Viégas, com "O que eu levo aqui".


O que eu levo daqui


Muito. Eu sempre quis muito.

A frase eu tomo emprestada de uma música de Caetano, que eu costumava ouvir em absoluto silêncio.

Como agora, que só a escuto em minha mente enquanto escrevo, em absoluto silêncio.

Muito é muito pouco. Ou não. Caetano de novo. E eu.

Enquanto escrevo, reflito nestes dias de Brasil exterior. México, literatura, pirâmides, fartura de cores, tacos, pimenta, amor e amigos.

Enquanto escrevo, respiro o ar do Pacífico, à beira do canal que vejo agora com meus próprios olhos. Molho os pés no mar Pacífico que levou Balboa às Índias. Mudo o ângulo do olhar e está ali na frente o mar Atlântico que nos trouxe Cabral. E me farto de história.

Caminho sob um sol escaldante, ao lado da mulher que me desassossega, pela Cinta Costera. Panamá.

Prédios imensos testemunham a nossa passagem. Gaivotas mergulham de vez no mar, na busca certeira pelo alimento. Pelicanos voam com paciência.

O que eu levo daqui é o que me faz ser como sou. Os panamenhos olham nos olhos. E nos entregam sorrisos sem que peçamos. E nos fazem sorrir, em estado de gentileza.

O que eu levo daqui é o que me leva pra qualquer lugar. Um naco de Contemplação associada a uma pitada generosa de incerteza sobre o que virá. É a vida, agora.

É, certamente, penso comigo, a fórmula desse amor que carrego. Penso quietude. Ela, inquieta. Penso em mar calmo. Ela, vulcão. Penso em perceber o hoje. Ela, lida com a próxima escala.

E assim, concluo, seguimos firmes porque sabemos nos encontrar no meio desse caminho. Às vezes avanço e me supero. Às vezes, ela recua e se contém.

No fundo, no raso, somos o conteúdo e o continente. A psicanálise explica.

Eu sempre quis muito. Mesmo que parecesse ser modesto. A canção, no silêncio de mim, segue na cabeça.

É o que levo daqui!


Inorbel Maranhão Viégas

Cidade do Panamá

14/03/26

 
 
 

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