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Texto/Poesia - Poemas Portugueses, por Raquel Naveira

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 1 de mai. de 2025
  • 2 min de leitura

Quinta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto/poesia com a escritora e poeta de Campo Grande (MS), Raquel Naveira, com "Poemas Portugueses".


POEMAS PORTUGUESES

Raquel Naveira


Numa visita que fiz ao belíssimo Clube Estoril de Campo Grande,

localizado numa área nobre da cidade, uma das entidades recreativas mais bem

estruturadas do Centro-Oeste, deparei-me com um quadro, com bordas de azulejos azuis

e brancos, emoldurando um poema meu intitulado “Figueira da Foz”:


Eram de Figueira da Foz

Os meus avós.


Figueira,

Árvore sagrada,

Leitosa,

Cujos frutos se abrem roxos,

Testículos do outono.


Foz,

Encontro do rio e do mar,

Lá onde a areia é cor de prata

E forma uma renda

De espuma e nata

Pela costa atlântica.


Deixaram a pesca,

O sal,

Os navios,

Os molhos de trigo

E atravessaram o oceano

Rumo à América.

O vento moderado soprava,

O relógio girava na torre,

A claridade era forte na praia

Quando meus avós

Vieram de Figueira da Foz.


Um albatroz acompanhou a viagem,

Em nenhum momento se sentiram sós,

Havia um chamado,

Uma missão,

Uma voz

E aportaram no cerrado.


O tempo passou tão veloz

Desde que meus avós

Chegaram de Figueira da Foz,

Por isso há dentro de nós

Sementes de figo

E gotas do Mondego.


Fiquei emocionada. Pensei no destino misterioso que têm os mares, os navios, os livros.

Algum tempo depois, fui convidada para participar da celebração de um

aniversário da Associação Luso-Brasileira, cujo objetivo é manter vivas as tradições dos

imigrantes portugueses no Estado. Exaltar a história daqueles que vieram atraídos pela

construção da estrada de ferro, na busca de novos horizontes para seus negócios, suas

famílias, suas vidas. Na ocasião, falei sobre meu trabalho literário, li alguns dos meus

poemas, derramei todo o sentimento de minha alma ancestral portuguesa. O amor à língua e à literatura portuguesas, os costumes, a culinária, a música, o caráter português, foram a base da minha formação, da minha infância. A acolhida dos amigos “patrícios” foi

maravilhosa: palavras, comentários, aplausos, lágrimas. Muitos desejaram adquirir um

livro com os poemas. Daí surgiu a ideia: um livro único reunindo os meus vários poemas portugueses espalhados por livros como Senhora, Sangue Português, Jardim Fechado: uma Antologia Poética. Assim veio a lume o livro Poemas Portugueses, pela editora Life, aqui de Campo Grande.

Ver o material recolhido impresso num só volume deu uma outra dimensão

ao meu trabalho. Trouxe sombras do passado, luzes para o presente, sonhos para o

futuro. É uma reordenação da memória lusa, da memória do meu país e da minha

própria. Há tochas, caravelas, cruzes, torres, bibliotecas, figuras históricas, lusofonia,

diálogo entre Europa, África e Brasil nestas páginas em que a letra mágica da invenção

se une a estudos e lembranças.

Com o livro esgotado há vários anos, surgiu uma nova edição com acréscimo

de poemas inéditos. Agradeço aos meus antepassados, à comunidade portuguesa do Estado de Mato Grosso do Sul por esse livro que representa um marco, uma raiz fincada no campo verde-esmeralda da minha terra e do meu espírito.


(O livro Poemas Portugueses não terá novo lançamento, mas pode ser encontrado no site da editora Life ou no Hotel Pousada Dom Aquino)

 
 
 

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