Texto Poético - Sobre Margot, por Inorbel Maranhão Viegas
- Alex Fraga

- 18 de out. de 2024
- 2 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto poético com o jornalista, poeta e escritor de Brasília (DF), Inorbel Maranhão Viegas, com "Sobre Margot"
Sobre Margot
O dia já tinha aberto espaço para a noite. Eu dormi. Quando acordei, no outro dia, vi que Mané Marinho havia me escrito e mandado mensagem de áudio.
Mané é um jeito que revela alguma intimidade com Emanuel Marinho, o poeta douradense, cantador das dores originárias dos povos que primeiro habitaram aquele pedaço de chão.
Ouço o áudio antes de ler o texto. A voz grave e mansa de Mané me fala de uma saudade e de um amor comum a nós dois (e a um sem número de gentes mais): Margarida Marques.
Ele diz que começou a conversar consigo e comigo. A falar sobre o natural das coisas. E a conversa sobrenatural lhe fez doer no peito uma saudade imensa. E danou-se a escrever.
Eis a escrita de Mané pra mim:
Minha amada amiga
Margarida
Melhor
Mulher
Muitas histórias
Alma macia
De amor
Madrinha de sua filha
Maravilha
Sempre flor
Sempre viva
Fruta, pomar e poeMa
Traduzida em braille, libras e no cinema
E eis a minha resposta pra ele:
Veja você
Uma rosa nunca mais desabrochou, Margarida.
E eu não tenho mais seu endereço.
Versos desagrupados de uma canção que me vem à memória depois de te ler e, inevitável, sentir saudades dela.
Nossa Margot.
Seu sorriso franco
Seus cabelos prateados
A fumaça do cigarro se desfazendo entre o seu rosto e o som de sua voz firme
Navalha contra as injustiças
Mansidão para o amor
Ah, Mané… quanta ausência de Margot.
De onde quer que ela esteja, seu lume há de nos aquecer a alma. E apaziguar a distância metafísica que nos separa.
Ou você acha que é acaso o fato dela, mesmo habitando outra dimensão, nos provocar poesia?
Um beijo, querido amigo!
Maranhão Viegas
Brasília, 15/10/2024





Margarita sempre estará presente.
Os manés também.
Emmanuel o encantador de palavras
Jessé Menezes
Ribeirão Preto-SP