Texto poético - Mato Grosso do Sul, por Carlos Magno Amarilha
- Alex Fraga

- 26 de set.
- 1 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto poético com o poeta e escritor de Campo Grande (MS), Carlos Magno Amarilha, com "Mato Grosso do Sul".
GROSSO
DO
SUL
O Rio Paraguai desce para se encontrar com Corumbá, Porto Murtinho, Concepção, Asunción, Buenos Aires, com o doce da Guavira animado com o Chamamé de Campo Grande que rolou pastel do mercadão com boiada e muita Sopa Paraguaia, desceu direto para o Rio Paraná que levou esperança para o Dourados que de cachoeira em cachoeiras entregou a Chipa e o Sobá da Feira com o um som da Harpa com o cantar das graças de dias melhores, um Tereré gelado com hortelã para a graça de dias felizes.
(Ne’e’poty Porã Arandu, 2025)





Mano! Você é fodastico
No ritmo da correnteza. A estrutura formal do poema "Mato Grosso do Sul", com seus versos curtos, justapostos e sem pontuação ostensiva, é a chave para a sua força poética e para a plena expressão dos temas da fluidez e da fronteira. O poema é, em sua essência, uma mimetização do movimento fluvial.
A Estrutura como Rio
Os versos do poeta não se prendem a métricas rígidas; eles escorrem. A falta de pontuação forte (vírgulas, pontos) cria uma corrente de consciência ininterrupta. O leitor é obrigado a ler o texto em um fôlego só, como se estivesse navegando:
O Rio Paraguai desce para se encontrar com Corumbá, Porto Murtinho, Concepção, Asunción, Buenos Aires, com o doce da Guavira animado com…
TRÊS ASPECTOS sobre o rio Paraguai no poema. A estratégia do poeta Carlos Amarilha, ao traçar a descida do Rio Paraguai e conectá-lo a cidades como Corumbá, Porto Murtinho, Concepção, Asunción (Assunção) e Buenos Aires, não é meramente geográfica; é uma declaração de geopolítica cultural. O aspecto que ele destaca é a integração histórica e a identidade do Mato Grosso do Sul como parte intrínseca da Bacia do Prata.
Essa sequência de lugares revela a fronteira não como linha de separação, mas como bacia de convergência.
A Conexão Histórica e Econômica: O rio, antes da ferrovia e das estradas, era a principal artéria que ligava o interior do continente ao Atlântico. Ao citar a rota que passa por Concepção (Paraguai)…
O Mapa Gastronômico da Identidade
Olha só! Vamos analisar a culinária, no poema "Mato Grosso do Sul" de Carlos Amarilha, ultrapassa a função de mero elemento descritivo; ela se torna uma força motriz que modela e expressa a identidade cultural do estado. O poeta utiliza a comida não apenas para nomear lugares, mas para ancorar afetos e sintetizar a complexidade de uma região de fronteiras.
O poema estabelece um verdadeiro mapa afetivo gastronômico. A menção ao "pastel do mercadão com boiada e muita Sopa Paraguaia" em Campo Grande é a primeira grande metáfora da mestiçagem sul-mato-grossense. O pastel representa a cultura urbana, o frenesi do mercado e o alimento rápido do cotidiano. A boiada evoca a alma pantaneira e a…
MATO GROSSO DO SUL: A CANÇÃO LÍQUIDA DA IDENTIDADE
O poema "Mato Grosso do Sul" de Carlos Amarilha, extraído do lírico "Ne'epoty Porã Arandu" (2025), não é apenas um texto; é um fluxo que serpenteia e pulsa, uma correnteza analítica que dissolve as fronteiras entre o geográfico e o sensorial. O poeta não descreve o estado, mas o inaugura a cada verso como um mapa aquático e afetivo, onde a geografia é menos terra firme e mais uma constelação líquida de encontros.
O Rio Paraguai surge como a veia-mestra da vida e da história, um serpente de prata que desce não para desaguar, mas para conectar destinos e costurar culturas. Sua jornada é uma metáfora da diáspora afetiva sul-mato-grossense: Corumbá,…