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Texto - Nasce uma estrela, por Inorbel Maranhão Viégas

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 1 de mar. de 2025
  • 2 min de leitura

Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de texto com o jornalista, escritor e poeta de Brasília (DF), Inorbel Maranhão Viégas, com "Nasce uma estrela".


Nasce uma estrela


Domingo nublado por aqui. Penso na passagem do tempo. Às vezes, é muito

rápido. Às vezes, demora. Mas passar o tempo, ou acompanhar a sua

passagem, é sempre um exercício exigente.


Nesse momento, o Brasil inteiro disfarça a angústia de esperar por um

resultado. A mais icônica das premiações cinematográficas, o Oscar, acena

com a possibilidade de premiar pela primeira vez uma produção brasileira. O

tempo de espera já se faz longo, qualquer que seja o ponto de vista.


Se a janela for cronológica, trata-se de uma história que pode romper com o

ineditismo. Nunca antes na história do cinema nacional estivemos tão perto

daquela estatuetinha dourada.


Se o prisma for artístico, estamos a ponto de alçar muitos degraus na escada

mundial de reconhecimento da arte brasileira. Mas há um ângulo que me

comove mais do que qualquer outro.


Para mim, agora, a conquista do Oscar será um detalhe. O tempo que me

provoca em sua passagem é o que converge para intersecção de duas bandas

do ciclo que chamamos “vida”.


Sentado diante da minha janela aberta, nesta manhã nublada de domingo,

xícara de café na mão, reflito enquanto os aviões arribam e aterram, lá longe

no horizonte, na direção onde está o aeroporto.


Me vem à mente a imagem de duas mulheres fortes. Duas Fernandas. Uma

delas guarda quase um século de altivez. A outra, resplandece e desfruta uma

aventura histórica. As duas são preenchidas de dignidade.


Entre elas, o tempo. E eu a observar a trajetória dessas duas estrelas

constituídas do mesmo DNA, que traduzem a legitimidade da arte brasileira.

Uma, a que trafega com a elegância comum às estrelas cadentes, que

deslizam como um traço de luz no céu, carregadas de beleza. Uma vez que as

vemos, nunca mais saem da nossa memória.


A outra, a que nasce. Sem que precise de adjetivações para ser percebida em

meio a milhares de outras estrelas.


Penso que está aí o prêmio, o grande prêmio, desse tempo avesso que

atravessamos.


Meu coração aquietado e lúcido celebra o privilégio dessa contemporaneidade.

Eu desfruto da passagem do tempo com duas Fernandas. E isso não é pouco.

O tempo, neste caso, é só um detalhe. Como o Oscar.


Inorbel Maranhão Viégas

Brasília, 15/02/25

 
 
 

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