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Texto - Aquidauanastácio, por Isaac Ramos

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 25 de ago.
  • 2 min de leitura
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Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto com o escritor, poeta e professor universitário de Campo Grande (MS), Isaac Ramos, com "Aquidauanastácio".


AQUIDAUANANASTÁCIO

(Isaac Ramos)


Dois vizinhos de ponte namoram o rio Aquidauana dos meus sonhos. Nas retinas da minha memória relembro duas cidades que fazem parte do meu imaginário. No Centro Universitário de Aquidauana (UFMS), pratiquei traquinagens poéticas e tirei de Letras com pessoas amigas que saíam como o poeta e jornalista José Pedro Frazão, Plínio Sélis e pessoas que chegavam, como Irinéia Cesário, Cleide e Artur Padilha.

Nas escolas “Cândido Mariano”, “Laudelino Barcelos”, ministrei as primeiras estórias e exercícios de língua e de poesia. Do outro lado da ponte, a “Dep. Carlos Souza Medeiros” faz-me lembrar dos eventos, sobretudo um que levava o nome de “Culminância”. Nesse todas as áreas se encontravam a cada bimestre a partir de um tema comum e sagrávamos a Educação e a Cultura. Na direção, Plinio Sélis. Na segunda metade da década de 80, fui convidado a ministrar aulas no então distrito Dois Irmãos do Buriti. Fui substituir uma professora recém-falecida, em acidente de carro. Pouco tempo depois, deu nome à “EEPSG Estefana Gambarra”, onde também lecionei. Imperdível foi a experiência no assentamento Marcos Freire (ex- Gleba Santo Inácio), em uma Escola Agrotécnica. O geógrafo Luiz Carlos Batista (UFMS) foi quem me fez o convite à direção. Recém-formado. Com o apoio da irmã Olga, Valdevino e da Comissão Pastoral da Terra. Mas isso daria outra crônica...

No Pantaneiro escrevi crônicas, publiquei sonhos e quando o seresteiro Lima Neto deixava, escrevia sobre política. Igualmente falava nas rádios Difusora e Independente. Em Anastácio, não havia rádio. Mas havia O Porta-Voz do Pantanal, do amigo Frazão, que era quase multimídia (ele mesmo escrevia, editava, publicava e divulgava). Também lá deixei alguns versos.

Sagrei a Catedral N. Sa. da Conceição, no poema “Aquidanoite”, no livro Astro por rastro (1988): “Ouvi o cântico de uma noite viva/ E acompanhei o ritmo das águas que deságuam/ Numa certa e bela Aquidauana/ (...) E a felicidade que me lampejou o espírito/ Fez chuviscar lágrimas por sobre o meu corpo embebecido/ Não mais contendo agradeci a Deus por aqueles instantes/ E à noite aquidauanense, de braços abertos, me entreguei”.

Na militância, conheci Dudu da TOSA (Torcida Organizada Santista de Aquidauana), Chico do INSS, Firmina e o histórico Bartolino Anastácio. Em

reuniões aos sábados à tarde, no CEUA; às vezes, na Praça dos Estudantes, disputávamos com algum culto evangélico a atenção das pessoas. Se dependesse daquele núcleo petista, a revolução logo seria deflagrada. Felizmente a literatura venceu. Um dos últimos atos políticos foi uma candidatura a vereador. Não fui eleito, mas entrei no coração de pessoas como Dona Maria Ribeiro, seu Odilon, sua filha Jussara e outras pessoas queridas que se juntaram. Não plantei árvores, mas tive dois filhos, Iara e Gabriel, em Aquidauana e lá publiquei dois livros. Aquidauanastácio é o bloco mágico de minha adultice literária. Nem Freud explica.


(Um dia qualquer de 1989 ou 1990, após Astro por rastro)

 
 
 

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