Show - Vozmecê cruza fronteiras musicais em turnê por quatro cidades de MS


Duo abre nesta terça-feira, em Nova Andradina, turnê que cruza música, cinema e oficinas para investigar as influências que formam a identidade musical do Estado
A música sul-mato-grossense não termina nas fronteiras com Paraguai e Bolívia. Ela também se transforma nos encontros com São Paulo, Paraná, Goiás e outras regiões brasileiras. É a partir dessa ideia que o duo Vozmecê, formado por Namaria Schneider e Pedro Fattori, inicia nesta terça-feira (29), em Nova Andradina, a turnê “Tropicapolca – Fronteiras e Divisas”. Com entrada gratuita, a programação ocupa o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) durante todo o dia, reunindo quatro oficinas, dois documentários e dois shows. Mais do que uma apresentação musical, o projeto propõe uma espécie de cartografia cultural de Mato Grosso do Sul, aproximando tradições fronteiriças, ritmos brasileiros e novas formas de criação.
A programação começa às 8h com as oficinas Produção de Videoclipes com Celular, conduzida por Fattori, e Canto e Coral Regional, com Namaria. Pela manhã também serão exibidos os documentários Tropicapolca e CenAlternativa: MS Geração 20. À tarde, o foco se volta para manifestações diretamente ligadas à cultura regional, com as oficinas Dança Chamamé, ministrada por Felipe Arguilhera e Ana Laura Belo, e Instrumentos Fronteiriços, com Ossuna Braza. O encerramento começa às 15h45, com pocket show de Nanda Nóbrega, seguido, às 16h15, pela apresentação do Vozmecê. No palco, o duo apresenta o repertório autoral de Tropicapolca, trabalho que sintetiza parte da pesquisa musical desenvolvida por seus integrantes desde 2019. A dupla já percorreu 17 estados brasileiros em circulação independente, experiência que ampliou o diálogo entre as referências da fronteira Brasil–Paraguai, a música brasileira e a paisagem cultural do Pantanal.

ÁLBUM - Lançado em 2024, o álbum audiovisual Tropicapolca reúne 15 músicas e 15 vídeos. Polca paraguaia, guarânia, psicodelia e ritmos brasileiros aparecem misturados em uma sonoridade que o próprio duo define como neo-pantaneira. A proposta não é reproduzir uma tradição, mas observar como ela continua se transformando. Nova Andradina foi escolhida justamente por deslocar o olhar habitual sobre a identidade cultural do Estado. Próxima à divisa com São Paulo, a cidade permite pensar Mato Grosso do Sul para além de suas fronteiras internacionais.
“A ideia é investigar um pouco o que é essa identidade sul-mato-grossense, tanto no extremo oeste quanto no extremo leste do Estado”, afirma Namaria Schneider. Segundo ela, essa identidade resulta tanto das influências sul-americanas quanto das relações com os Estados brasileiros vizinhos. A presença do projeto no IFMS também aproxima a discussão de um público jovem. Para Fattori, levar música, cinema e cultura regional para dentro da escola significa apresentar aos estudantes uma produção artística que muitas vezes está fora dos circuitos tradicionais de circulação.
Depois de Nova Andradina, a turnê passa por Corumbá, nos dias 5 e 6 de outubro; Ponta Porã, em 18 de novembro; e Três Lagoas, em 27 e 28 de novembro. Em cada cidade, o projeto mantém a combinação entre formação, audiovisual e música.
O Vozmecê já passou por eventos como Campão Cultural, Festival de Inverno de Bonito, MS ao Vivo e Festival Universitário da Canção, no qual recebeu o prêmio de melhor música popular por “Tio Sam”. Com Tropicapolca – Fronteiras e Divisas, o duo amplia uma pesquisa que tem como ponto de partida a fronteira, mas cujo território musical é bem maior que ela.
SERVIÇO
Tropicapolca – Fronteiras e Divisas
Data - 29 de setembro, terça-feira
Lpcal - Auditório do IFMS – Nova Andradina
Entrada gratuita





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