Reflexão - Diário de uma Idosa - Da Série Amizade N° 04, por Joana Prado Medeiros
- Alex Fraga

- 17 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto de reflexão com Joana Prado Medeiros, com seu Diário de uma Idosa - Da Série Amizade 04.
DA SÉRIE AMIZADE - N° 04...
Com ela, aprendi o segredo de vencer a resistência dos nossos idosos em relação ao uso das fraldas. Com ela, aprendi a fazer no liquidificador a vitamina mais poderosa, com ela aprendi como virar um idoso na cama. Nas noites de orgias e sonhos, entre um gole de cerveja e outro, ela me narrava como cuidou de sua mãe acamada... Como foi os últimos dias, e eu ouvia com atenção. Ela me preparava, me ensinava como fazer uma compressa, me orientou a aproveitar os lençóis velhinhos, fininhos, paninhos macios, todos bem lavados, esterelizados, guardados para os inúmeros tipos de uso. Porque até às fraldas de tecidos, quando novas, são ásperas para usar na pele fininha dos nossos idosinhos; eles necessitam de cuidados extremos. Eu bebia dessa fonte, sem saber que num curto espaço de tempo iria colocar tudo em prática. Minha amiga, o seu coração pioneiro, me advertiu, me preparou, me conscientizou a ser mãe do meu passarinho amarelo. E assim cuidei da minha mamãe e, quando chegou os dias últimos, fiquei em pedaços. E minha amiga, também, passou por um deserto, sofreu uma perda, partiu um de seus irmãos, e este, era a sua referência de alma e caminho...Tocamos juntas as, estrelas das dores, mergulhamos em histórias de famílias, nunca choramos, nunca, mencionamos o luto tão presente que de tão presente não necessitava ser dito. E deitamos falação nas noites tristes, agarradas nas lembranças, atravessamos a pinguela do luto, do desamparo e da dor. A lua nos vestia, a torta de sardinha aquecia o vazio do estômago e assim foi, por noites e noites abraçadas, enfrentamos o portal dos mistérios. Minha amiga de fé, de espuma de sabão, de muda de Dama da Noite, das canções dos Sessenta, minha amiga de latão de leite, de porteira, de chão batido - Cacilda Maria Mendonça! Obrigada, gratidão sempre, querida amiga. Estamos vivas, seguimos vivas, somos feitas de rochedo e gotas de orvalho. Eu te amo.
(Joana Prado Medeiros - 16/12/2025 - Direitos Autorais Lei 9.610/98)





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