Reflexão - Diário de uma Idosa 311, por Joana Prado Medeiros
- Alex Fraga

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Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto de reflexão com a professora universitária, historiadora, poeta e escritora de Dourados (MS), Joana Prado Medeiros, com seu Diário de uma Idosa 311,
NOTÍCIAS DA MINHA VIDA ESTUDANTIL... DAS PROVAS...
Absoluta ansiedade. Sentimentos híbridos. No coração, um triângulo amoroso: a História e a Hermenêutica se digladiando por conta do Direito. Paixão nova e avassaladora. O tempo em disparada, poucas aulas assistidas, a matrícula realizada no último segundo. Estudar!? Qual o quê! Mal deu tempo. A primeira prova foi feita só na base de prestar atenção nas aulas. Já para a segunda prova tive um tempinho. Contudo, todavia, os afazeres e a falta de administração me enrolaram inteira. Direito Civil é medonho. Essa parte introdutória do livro geral é conteúdo de arrepiar os cabelos de todos nós, acadêmicos principiantes.
Agarrei o livro e li o que pude, nem a metade do conteúdo. Fiz almoço ouvindo aulas no YouTube, lavei roupas ouvindo Direito Civil. Mastiguei e engoli Civil, tomei banho com o sabonete do Código Civil. Foi muito louco!
Na hora das provas, barbaridade! Eu tremia ao assinar meu nome e escrever meu RGM. Bah! Que baobá na garganta, pura emoção. Senti medo de tudo e mais um pouco. E também alegria.
As questões objetivas, cheias de pegadinhas, e as dissertativas...Eu sinto dificuldade com a linguagem jurídica. Minha mentalidade é dialética e pensa historicamente, daí o medo. O direito brasileiro é positivado. Por fim, me saí bem. Aliás, bem por demais para quem assistiu poucas aulas, uma vez que resolvi entrar no curso pós-Carnaval. Aconteceu assim: um começo começado que chegou chegando. Fez caçoada com meu riso, meu sentar e levantar...Entrei como gaiata, só pra mode ver se gostava... E gostei.
Fiquei com 9,0 em cada disciplina que curso. Isso não me envaidece, não nego, mas me dá coragem. Notas não são sinônimos de inteligência, etc. Sou professora e não endeuso nem menosprezo o nosso sistema de avaliação. Penso que deveria, sim, passar por reformulações, etc. Mas isso não é o ponto aqui. O ponto é a alegria e o sentir... Sentir a vivacidade de ser-aí, sentir, como diz Pierre Bourdieu, o capital simbólico que somos! Em tempo, a emoção maior se deu, a coroa de louros — viva os deuses romanos! — quando entreguei para o meu filho a prova de Direito Civil. Ele, o Lucas é advogado civilista. Ficar ao seu lado feito uma criança... Assistindo ele lendo minhas respostas com letra infantil e perfil de aluna, foi mágico, foi demais. Comentamos, rimos! Quero guardar na memória e no coração estes momentos. E digo: o triângulo amoroso não vinga...Estou apaixonada por Direito. Com ele pretendo construir uma relação estável, e juntos, o fenômeno jurídico da comoriência.
(Joana Prado Medeiros - 05/05/2026 - ( Joana Prado Medeiros - Direitos Autorais Lei 9.610/98)





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