Reflexão - Acredito na energia do retorno, por Miriam Idi Souza
- Alex Fraga

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Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto de reflexão com a escritora de Campo Grande (MS), Miriam Idi Souza, com "Acredito no retorno da energia"/
Quem sou eu? Minha história é muito forte, é histórias fortes afastam pessoas fracas. Perder a inocência aos sete anos, desde então viver o sexo como se fosse o amor, então tinha em mente que, o amor era sobre dor, pois uma criança que faz sejo sente dor, porém esse era o carinho que, eu conhecia. Me lembro que, a partir dos 8 anos cada vez que tranzava eu ficava feliz, pois eu pensava que havia engravidado. No bairro eu sempre fui a putinha, a louca, minha autoestima era uma merda, dava porrada até nos meninos, nas filhinas de papai então, eram saco de pancadas. Em casa o algos, na rua as putas, os bêbados e os poetas me protegiam. No primeiro casamento ainda criança, porém eu aceitei pelo fato dele ter dito que, cuidaria de mim. Eu era doidinha só queria ter filhos, pensava que filhos seriam o fim da minha solidão. Bebia muito até os 13 anos, maconha fumei umas 4 vezes, não virava, só tristeza no dia seguinte. Mas nesse processo todo a ilusão, salvou meu coração, eu brincava, chorava e sorria ao mesmo tempo. Sim existe narcisismo, eu sei, eu vivi sobre. Mas a gente sai, e temos o hábito de pensarmos que, estamos curados, porém continuamos doentes, carentes, na ilusão, então continuamos a vermos os outros a partir de quem somos. E acontece outro príncipe encantado, esse menos agressivo porém mais esperto, eu tinha oque ele queria, ele me dava oque eu achava preencher minhas carências. Gente do bem não quer dar trabalho, então me entreguei a migalhas, porém pessoas intensas quando se permitem viver sobre migalhas adoecem do corpo e da alma, e eu sucumbi. Quando o príncipe soube que possivelmente teria que, sepultar a princesa juntou oque restará e abandonou a princesa aqui no seu leito de possível morte. Mas sempre tem quem nos salve, por vezes esperamos anjos alados, ou super-heróis da Marvel, mas esses anjos e heróis são seres humanos. Mas ufa eis que então Freud e Jung a mim foram apresentados, e eu me permiti cair de cabeça no universo do autoconhecimento, se eu consegui sair, claro que não, pois as histórias vividas não se apagam, mas ensinam lapidam. E claro uma mãe, menina, desestruturada, seus rebentos acompanhando todos os abusos vividos por sua mãe, serão criaturas entregues alguns ao vício, chegando a virarem zumbis, sobre todo o drama de um usuário de substâncias ilícitas. Não é fácil, pois por vezes os filhos desestruturados trazem a mãe o peso de não se sentir nem no direito de morrer. Como assim morrer e deixar essas criaturas deficientes de boa conduta. Mas o pior mesmo e o mais doloroso é ter que, abandonar oque a nós é imposto como amor supremo, ou sucumbiremos a pulsão de morte. E quando digo gratidão a vida sempre, estou agradecendo ao criador de tudo que é, o fato de não trazer ódio, rancor no meu coração. Acredito na energia do retorno, não posso cuidar do suposto meu, mas sigo cuidando indiscriminadamente dos desconhecidos, e creio que, essa energia reverbera sobre os meus. O coração do homem é terra que, ninguém pisa. Se não te digo, tu não saberia a mulher fodástica que eu me tornei!
(Miriam Idi Souza)





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