• Alex Fraga

Reflexão - "Sorvete pinica a língua", por Sylvio D Prospero

Segunda-feira é dia de reflexão do escritor e poeta de Curitiba (PR), Sylvio D Prospero, com toda sua sensibilidade em um texto primoroso intitulado “Sorvete pinica a língua”.




***(dedicado à todos, que algum dia chuparam uma "Pedra de gelo)




Quando olho para a velha geladeira Frigidaire, sempre me vem à memória o sorvete "Pinica a Língua", que minha mãe, a dona Linda, fazia quando eu era criança e morava lá no Caxinguí em São Paulo.

A recordação me levou, para aquele barracão no fundo da vila onde morávamos, sentado no banco de madeira, chupando as pedras de gelo, feitas nas forminhas da velha, na época nova, geladeira Frigidaire Azul, com água e o pó do KiSuco, cada semana de uma uma cor e um sabor, limão, tangerina, uva, entre tantos outros, e com muito açúcar!

Chupar aquelas pedras de gelo doces, fazia com que a minha língua ficasse dormente e pinicando, daí surgiu o nome "Pinica a Língua, mas aquele sorvete era o meu prêmio pelo bom comportamento, as boas notas na escola e o xodó da minha mãe.

O tempo passou, cresci, me casei e fui morar em Campo Grande MS, onde tive meus filhos, e meus pais passaram à viver na Chácara São Domingos, próximo da cidade e da Colônia de Férias, e a fórmula da dona Linda continuou, fabricando os "Pinica a Língua" na mesma geladeira Frigidaire Azul, mas com sucos de frutas colhidas no pomar, muito natural e com muito amor.

Alegria era ver meus filhos Renato Oliveira D Prospero e Syl D Prospero, debaixo das árvores, pinicando a língua, se refrescando e se lambuzando com o néctar de amor tirado das pedra de gelo, e ainda fabricados pela velha geladeira Frigidaire Azul.

Quantas alegrias geladas e refrigeradas aproveitamos, mesmo quando nos mudamos para Curitiba, a velha geladeira Frigidaire Azul continuou à nos proporcionar.

A dona Linda minha mãe foi para o Céu, a velha geladeira Frigidaire Azul perdeu seu gás, parou de funcionar e mudou de cor, passou à ser a velha geladeira Frigidaire Ocre, e se transformou no baú das minhas recordações, no meu quarto da bagunça.

Agora já não trabalha mais, apenas guarda minhas recordações, mas sempre mantendo minha língua pinicando, com um sabor doce e gelado dos sorvetes "Pinica a Língua" da dona Linda, quando eu olho para ela!

Sua benção dona Linda, de onde estiver!!






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